Americana cria floresta no sertão da Bahia; entenda

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A americana Marsha Hanzi vive em Tucano, no interior da Bahia, aos 76 anos. Na cidade que chove pouco, em região de Caatinga, ela tinha o desejo de criar jardins e produzir alimentos de maneira sustentável, desde 2002. Durante 10 anos, tentou, mas nada funcionava. A história foi contada pelo UOL.

Nascida na Flórida, Estados Unidos, e viveu na Inglaterra e na Suíça, ela começou a cultivar hortas orgânicas, e foi quando se apaixonou pelo manejo de terra. Mudou-se para São Paulo nos anos 70, com o marido. Entre 80 e 90, foi a primeira pessoa a utilizar no Brasil a técnica da permacultura, que ensina formas de organizar a plantação, animais e pessoas para criar um ecossistema em um espaço delimitado.

Em 93, fundou um instituto de permacultura na Bahia, e conseguiu comprar um sítio em Tucano, contra a vontade de seu marido. O casal se divorciou após 30 anos de casamento, ela aos 56 anos.

As dificuldades da vida se intensificaram com as dificuldades que teve com a terra. Nos meses mais quentes, a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) já registrou 60 °C no solo da Caatinga, e o solo, arenoso, junto com o clima semiárido não auxiliaram. “Eu comprei a terra por romantismo, mas era um jogo de futebol totalmente diferente da região de mata, com outras regras e outros jogadores”, diz Marsha ao portal.

Método

Mas como falhar não era uma opção, ela foi à luta. Com dificuldades para manter a umidade em todo o terreno, começou o uso da prática convencional da agrofloresta, em conjunto com a criação de animais. Também manteve as árvores do proprietário anterior, como catingueiro, cajueiro e licurizeiro, para gerar frutos e sombra. Plantas adaptadas dividiam espaço para o plantio de frutas e vegetais.

Resolveu plantar capim sob a sombra das árvores para esperar a chuva. Não deu em outra: o capim cresceu e as vacas puderam ser alimentadas. Suas salivas aceleravam a atividade orgânica na terra, por conta dos micro-organismos.

Após a alimentação, as vacas são levadas a cada três dias para um espaço diferente, para não pisotearem ou ingerirem as plantas que crescem no esterco, que vira adubo. Esse material é usado nas plantações para fortalecer o solo. O capim também ajuda a reter a umidade.

As árvores mais resistentes ao calor alimentavam o gado com seus frutos, para a espera do crescimento de novo capim. “Eu precisei pensar em um sistema dentro de um sistema”, continuou. O ciclo se repete, como uma floresta.

Marsha, hoje, consegue ser autossuficiente em comida orgânica e carne e dá cursos e almoços para universitários, estagiários, agricultores e hóspedes, que geram dinheiro para pagar funcionários.

Para a aparência, ela criou caminhos com flores, cactos e plantas em tamanhos e formatos diferentes da Caatinga, inspirada pelos formatos e cores são os jardins da Inglaterra.

“Se combinarmos plantas diferentes de uma forma exuberante, mas organizada, pode ser um efeito que toca em algo mais profundo nas pessoas”, acrescenta. “Eu tenho esperança de que isso [o sucesso de sua ‘floresta’] agora possa incentivar os vizinhos da região”, diz.

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