O escritor Augusto Cury, pré-candidato do Avante à Presidência, criticou o cenário político brasileiro, descrevendo a intolerância como um alerta e a polarização como uma “seita” que chega a ser mais agressiva que as torcidas organizadas de futebol.
Em entrevista ao Bahia Notícias, ele afirmou que o principal entrave não está apenas na disputa, mas na falta de autocrítica entre os seguidores. “Quem são os piores inimigos de Marx? São os marxistas; de Trump — que hoje está em seu segundo mandato presidencial nos EUA —, os trampistas; de Lula, os lulistas; e de Bolsonaro, os bolsonaristas”, afirmou.
“Toda vez que você é um ‘ista’, você tem o sufixo ‘ista’, você supervaloriza, você não contribui mais, você só aplaude e não fala dos defeitos. Isso impede que eles evoluam”, acrescentou, criticando o uso de rótulos que congelam debates e inibem o amadurecimento das lideranças.
Ao falar sobre como conduzir uma candidatura diante da forte divisão no país, Cury reconheceu o desafio de ter pouca notoriedade. “Bom, eu não sou conhecido por 85% a 90% do público; o desafio é levar essa mensagem. Sementes são mais poderosas: plante uma, que a floresta cresce”, disse, defendendo uma visão de terceira via que busca equilíbrio entre economia e aspectos sociais.
Apresentando-se como uma terceira via, fundamentada no equilíbrio entre desenvolvimento econômico e responsabilidade social, ele criticou o desgaste das relações familiares provocado pela política polarizada. “Como eu tenho uma mente que se preocupa com o desenvolvimento econômico na plenitude e um coração que valoriza as dores das pessoas, eu tenho sido um choque de lucidez numa sociedade polarizada, onde as pessoas não têm liberdade sequer para falar em quem vão votar”, afirmou.
O cenário traçado por Cury sugere uma via alternativa ao choque de narrativas, buscando diálogo e propostas que associem crescimento econômico a bem-estar social. E você, qual a sua leitura sobre a polarização e a ideia de uma nova via?
