Após decreto, postos de gasolina exibem preços anteriores à queda do ICMS

Publicado:

compartilhe esse conteúdo

Os postos de gasolina de Belo Horizonte começaram a se adaptar ao Decreto nº 11.121, publicado pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) no Diário Oficial da União (DOU) desta quinta-feira (7/7). A medida obriga os postos de combustíveis a exibir a comparação entre os preços de antes e depois da redução do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).
 
“Nós recebemos essa informação na parte da manhã e já estamos providenciando para exibir a placa com a redução que já foi feita. A nossa gasolina era R$ 7,59 e hoje está R$ 5,95”, declarou Anderson Jota, proprietário do posto Trópico da Avenida Antônio Carlos, na região da Pampulha.
A reportagem do Estado de Minas acompanhou o momento em que a adequação ao decreto foi feita no estabelecimento, que fica em frente a uma das portarias da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
???Eu acho que está certo, para ficar claro para o cliente porque de onde vem o preço, porque o preço é esse. ??s vezes, o próprio consumidor acha que o posto está ganhando muito dinheiro e não é. Na verdade, são os impostos que oneram muito o custo do combustível???, ponderou. 
Já o gerente do posto Mineirão, localizado na mesma avenida, disse que não tinha sido informado sobre a medida assinada por Bolsonaro. O valor do combustível vendido no local é o mesmo do estabelecimento concorrente após a alteração.

Divulgação detalhada

O texto do decreto assinado pelo presidente enfatiza que os postos devem informar os consumidores “de forma correta, clara, precisa, ostensiva e legível”.
Leia também: Preço da gasolina cai para menos de R$ 6 em postos da Grande BH
Os estabelecimentos também precisam divulgar, separadamente, os valores aproximados relativos ao ICMS, PIS/Pasep/Cofins e Cide-combustíveis.
A medida definiu ainda que os postos usem como parâmetro de comparação a data de 22 junho, um dia antes do presidente sancionar a Lei Complementar 194, que estabelece o teto para as alíquotas.
“O atual contexto do mercado brasileiro de combustíveis demanda medida de transparência adicional, visando fortalecer a garantia do direito básico do consumidor de receber a informação adequada e clara de tributos incidentes e preços nos postos revendedores”, disse o Ministério de Minas e Energia (MME), em nota.
De acordo com o órgão, as ações de fiscalização serão feitas em conjunto pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e os órgãos de defesa do consumidor. “Orientarão os postos sobre a medida e garantirão ao consumidor a desejável transparência dos preços dos combustíveis”, informou.

Transparência x Ato eleitoral

Por um lado, o decreto publicado nesta quinta-feira pode acelerar a queda dos preços nas bombas, já que força a exibição do repasse para o consumidor final.
Ao mesmo tempo, a medida pode ser vista como um suposto ato eleitoral de Bolsonaro, pois atinge diretamente o bolso da população a menos de três meses do pleito.
O frentista do posto Coelho, que também não quis se identificar, ficou sabendo sobre o decreto pelo rádio e acredita que se trata de uma medida eleitoreira. ???Após a eleição vai disparar novamente???, ponderou.
Para se resguardar de possíveis crimes eleitorais, o presidente assinou em junho o Decreto nº 11.104, que permite à Advocacia-Geral da União (AGU) emitir pareceres sobre “os tópicos em propostas de atos normativos que gerem dúvidas quanto à conformação com as normas de Direito Eleitoral e de Direito Financeiro, no último ano do mandato presidencial”.
A alteração feita pelo Planalto ocorreu em 24 de junho, um dia depois de Bolsonaro sancionar a Lei Complementar 194, que reduziu o ICMS, e uma semana antes de entrar em vigor as restrições contidas na legislação eleitoral e na resolução número 23.674 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
 
 

Compartilhe esse artigo:

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Governo renova contrato de distribuidoras de energia de 13 estados, mas deixa Enel de fora

Um acordo histórico foi anunciado: o governo renovou contratos de 16 distribuidoras de energia que atuam em 13 estados, excluindo a Enel. A...

Governo renova 13 concessões de energia por R$ 130 bilhões e deixa Enel de fora

Governo renova 13 concessões de energia em 13 estados, com investimento de R$ 130 bilhões até 2030 e sem a Enel; a medida...

Dólar fecha a R$ 4,89, o menor valor em mais de dois anos 

Dólar fecha em R$ 4,89, menor nível em mais de dois anos. A moeda norte?americana encerrou a sessão em R$ 4,89, queda de...