Juiz revela ser autista e que se aproximou da Justiça após assassinato de irmã

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Um juiz recém-empossado no Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR) revelou ser autista ao ser aprovado no concurso de magistrado. Natural de Volta Redonda, no interior do Rio de Janeiro, Ricardo Fulgoni conta que descobriu ser autista depois dos 30 anos, durante a pandemia.

Na época, ele já era oficial de justiça concursado do Rio de Janeiro, quando mergulhou nos estudos para realizar o sonho de ser magistrado. Por conta da pandemia, as provas do concurso foram adiadas. Com isso, ele passou a ter fortes crises de ansiedade. Ao buscar ajuda médica, e após várias consultas, ele descobriu estar dentro do espectro autista.

“Eu não sabia que era autista. Sempre fui uma pessoa diferente, me considerava chato, com algumas manias. Não dava bom dia, achava aquilo normal. Toda aquela imprevisibilidade que a pandemia trouxe fez com que crises se manifestassem. Em uma delas, passei o dia inteiro na cama. No início, foi um verdadeiro choque”, explicou ao G1 Paraná. A descoberta da condição quase fez Fulgoni abandonar tudo. “Eu pensava: Um juiz pode ser autista? Pode, e como pode. Eu mesmo me limitava”, conta.

A vontade de se tornar juiz surgiu após a irmã ser vítima de feminicídio, em 2006, quando ela tinha 16 anos. A jovem foi assassinada pelo namorado. Ricardo Fulgoni tinha 19 anos na época e era servidor do INSS e estudava Direito. O crime levou Fulgoni a procurar o Judiciário pela primeira vez.

“Não fui acolhido pelo sistema de justiça. Precisava de um ofício para que a companhia telefônica instalasse o identificador de chamadas no meu telefone porque o assassino ligava em casa. Esse foi o tratamento que recebi naquela época”, comentou. Em uma investigação própria, Fulgoni conseguiu localizar o suspeito em Minas Gerais e foi atrás dele. “Ele foi preso no meu carro. Cheguei na cidadezinha, avisei os policiais e fomos lá. Apesar desse episódio, não desacreditei do Poder Judiciário e achei que poderia fazer diferente da forma como fui tratado”, conta.

Durante o concurso do TJ-PR, foi sincero com a banca examinadora por ser autista, mas ao contrário do esperado, foi bem acolhido pelos avaliadores. “Até mesmo me emocionei, porque, de fato, eles reconheciam o meu transtorno”, relatou. 

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