Henrique Meirelles será conselheiro de gigante global de criptomoedas

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Henrique Meirelles, ex-ministro da Fazenda e ex-secretário da Fazenda do Estado de São Paulo, está de volta à iniciativa privada. Há cerca de uma semana, aceitou o convite da Binance, a maior corretora mundial de criptomoedas, para ocupar um lugar no conselho consultivo global da companhia.

“Eu ainda preciso estudar o assunto, é um mercado muito novo, mas achei a proposta interessante”, disse à reportagem o ex-presidente mundial do BankBoston, banco americano comprado pelo Itaú em 2006. Até o momento, Meirelles afirma não ter feito qualquer investimento em criptoativos.
Fundada em 2017 pelos chineses Changpeng Zhao e Yi He, a Binance se apresenta como “o principal ecossistema de blockchain do mundo, com um conjunto de produtos que inclui a maior de todas as corretoras de ativos digitais”. A empresa fornece atendimento aos clientes em 40 idiomas, incluindo português. Seu braço de capital de risco, a Binance Labs, administra ativos de US$ 7,5 bilhões.
Ex-presidente do BC (Banco Central) no governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ele diz que, por enquanto, o petista tem o seu voto. “Apesar de algumas declarações equivocadas dele”, afirma o ex-ministro da Fazenda de Michel Temer (PMDB).
Como equivocadas, Meirelles cita a intenção de Lula de acabar com o teto de gastos. “O sistema fiscal brasileiro está muito ruim, sem um controle dos gastos o Brasil pode quebrar e entrar em recessão”, disse, destacando que a previsão de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) em 2023 é baixa, de 0,5%.
Este ano, afirma, o país deve crescer acima do esperado por conta da injeção fiscal. “Mas isso torna a situação do BC muito difícil”, diz ele, referindo-se às taxas de juros.
“Não há dúvida de que existe um problema social grave e que é preciso prorrogar o Auxílio Brasil no próximo ano, mas é fundamental haver um corte de despesas para tentar equilibrar um pouco as contas”, afirmou.
Como proposta, Meirelles defende uma reforma administrativa no governo, com desestatização de empresas públicas, nos moldes do processo que ele comandou quando foi secretário da Fazenda de João Doria (PSDB).

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