MG recebe ‘ofensiva’ de ministros na semana seguinte à união Zema-Bolsonaro

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Clara Mariz e Guilherme Peixoto

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), começou a semana seguinte à oficialização do apoio à reeleição de Jair Bolsonaro (PL) recebendo ministros de Estado na Cidade Administrativa. Nesta terça-feira (11/10), o titular da pasta federal de Meio Ambiente, Joaquim Alvaro Pereira Leite esteve em Belo Horizonte para anunciar recursos em prol da revitalização de parques nacionais sediados no estado.

Ontem (10/10), foi a vez de Marcelo Sampaio, ministro da Infraestrutura, anunciar investimentos em obras e projetar entregar, até o fim deste mês, uma parcela da duplicação da BR-381, que liga BH a Governador Valadares, no Vale do Rio Doce.

Os R$ 150 milhões que motivaram a reunião entre Zema e o ministro do Meio Ambiente já haviam sido anunciados em 2020. O encontro de hoje, na verdade, serviu para findar uma espera que durava dois anos. Apesar de ter garantido a liberação da verba para os sete parques, Joaquim Pereira Leite evitou estimar data para o início das obras, mas garantiu que as intervenções começam “ainda neste ano”.

O ministro foi questionado pelo Estado de Minas sobre possível relação entre o apoio de Zema e as concessões do governo federal à administração estadual. Ele, porém, se esquivou do assunto.

“Primeiro, nós continuamos trabalhando; eu, como ministro do meio ambiente; Zema, como governador. A gente vai continuar fazendo ações para ajudar a região, ainda mais uma região como essa, que tem parques tão importantes”, afirmou.

Antes do compromisso de Zema com Joaquim Leite, chamado de “Joca” pelo governador, uma comitiva com a secretária de Estado de Meio Ambiente, Marília Melo, visitou o Parque Nacional da Serra da Canastra, contemplado com a maior fatia dos recursos destinados aos espaços verdes de Minas – R$ 34 milhões.

A visita contou com as participações de Cleitinho Azevedo (PSC), eleito senador com o apoio de Bolsonaro, e do deputado federal eleito Nikolas Ferreira (PL), recordista de votos em todo o país, com mais de 1,4 milhão, e um dos líderes do bolsonarismo mineiro. O deputado Bruno Engler (PL), mais votado na corrida à Assembleia Legislativa e outro aliado do presidente, por sua vez, esteve na entrevista na Cidade Administrativa.

Em 2020, quando os R$ 150 milhões para os parques foram anunciados, coube a oficialização aos então ministros Ricardo Salles, do Meio Ambiente, e Marcelo Álvaro Antônio, do Turismo. Eles deixaram o governo algum tempo depois e, neste ano, foram eleitos deputados federais pelo PL de Bolsonaro por São Paulo e Minas Gerais, respectivamente.

?? época, o montante foi anunciado com um acréscimo de R$ 100 milhões, que seriam destinados para o tratamento do lixo em pequenas cidades.

As cifras milionárias para os parques nacionais são fruto de um acordo do Ministério do Meio Ambiente com a Vale. O trato foi firmado como reparação aos danos causados pela tragédia de Brumadinho, ocorrida em janeiro de 2019.

“O que estamos anunciando é a execução desse recurso. Faltava a aprovação do Judiciário e do infrator. Isso já foi superado”, disse Joaquim Leite, ao explicar o intervalo de dois anos entre o anúncio da existência do dinheiro e o aval à execução.

Nas redes sociais, Cleitinho também aproveitou para capitalizar o anúncio. “Juntamente com o presidente Jair Bolsonaro, o governador Romeu Zema, o deputado estadual Bruno Engler e o ministro do meio ambiente Joaquim Leite, estamos trabalhando por toda Minas Gerais. Serão 150 milhões investido em sete parques”, escreveu, ao postar uma foto dos quatro.

Ministro e Zema querem ampliar estrutura dos parques

Os R$ 150 milhões não foram divididos igualmente entre os parques. Além dos R$ 34 milhões destinados à Canastra, foram contemplados os parques nacionais da Serra do Cipó (R$ 26 milhões), do Caparaó (R$ 25 milhões) e da Serra do Gandarela (R$ 7 milhões). Na lista, há também o Parque Nacional Grande Sertão Veredas, com direito a R$ 17 milhões, a área das Cavernas do Peruaçu, com R$ 18 milhões, e o Parque das Sempre-Vivas, a quem vai caber outros R$ 19 milhões.

Segundo Joaquim Leite, os recursos vão servir para aprimorar a estrutura dos locais e ampliar os mecanismos de combate e prevenção de incêndios. “(São) R$ 150 milhões para trazer o turismo de natureza, que já existe. Mas você precisa de mais infraestrutura”, explicou. “O acordo de Brumadinho é um belo exemplo de como a gente pode transformar o meio ambiente, especialmente em Minas”, assinalou.

Zema também celebrou o aporte e projetou “avanços expressivos” na infraestrutura dos parques. “Minas Gerais é o estado com mais cidades históricas, mais lagos e mais montanhas. E, talvez, aquele que tenha os mais belos parques nacionais”, opinou.

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