Denúncias de assédio no serviço público aumentaram mais de 5.000% em seis anos

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Nos últimos seis anos, o número de denúncias de assédio moral dentro do serviço público do Distrito Federal aumentou de cerca de 5.785%. Os registros feitos na Controladoria-Geral do DF (CGDF) correspondem às queixas feitas por cidadãos e servidores públicos da capital federal.

Os dados foram obtidos pelo Metrópoles via Lei de Acesso à Informação (LAI). De acordo com as informações, em 2019, houve o registro de apenas sete casos de assédio moral dentro do serviço público. Já em 2021, o número disparou para 158.

Ano passado, a quantidade de denúncias chegou a 412. Em 2023, de janeiro a 17 de abril, a controladoria recebeu 151 reclamações do tipo.

Michelle Heringer, chefe da assessoria de apoio a julgamentos da CGDF e integrante da Comissão Especial de Combate e Prevenção ao Assédio do GDF, afirma que assédios morais podem ser caracterizados por ações constrangedoras ou desrespeitosas, em qualquer nível de hierarquia.

Ela explica que, em 2020, o governo local publicou um decreto que regulamentava melhor a apuração de ocorrências do tipo.

“Desde a publicação do decreto e com as inúmeras capacitações feitas ao longo dos anos, a gente acredita que as pessoas estão tendo mais contato com o tema, consciência de que elas podem denunciar. Tudo isso dá mais segurança às vítimas, que acabam denunciando mais”, diz.

Segundo a própria CGDF, todas as ouvidorias do DF podem receber denúncias de assédio moral ou sexual por meio do site ouv.df.gov.br; pelo telefone 162 e presencialmente (a depender das regras vigentes por conta da pandemia).

Ocorrências em escolasAinda de acordo com os dados da Controladoria-Geral do DF, entre 2016 e 2022, houve aumento das denúncias de assédio moral e/ou sexual em ambientes escolares.

Em 2016, por exemplo, foram registradas quatro ocorrências do tipo. No ano passado, o número saltou para 53 — o que representa um aumento de mais de 1.000%.

Caminho das denúnciasSegundo Michelle, todas as denúncias, independentemente da natureza, são encaminhadas à Ouvidoria Geral do DF e, de lá, distribuídas para os órgãos envolvidos

“Pode ser anónima, feita por terceiros e é garantido o sigilo em todo o processo apuratório”, completa.

Michelle ainda afirma que diversos servidores do DF recebem cursos de capacitação para serem capazes de identificar e prestar auxílio quando algum tipo de abuso ocorrer.

“Realizamos inúmeras capacitações para que as pessoas entendam o que é assédio como ele ocorre. Mil servidores já participaram dos cursos, que têm carga horária mínima de 20h. Eles aprendem como a vítima deve ser acolhida e como eles podem auxiliar no curso das apurações”, diz.

As denúncias são encaminhadas à Comissão de Ética do órgão em que ocorreu o suposto assédio. São as Comissões que tomam as devidas providências em relação à apuração. A CGDF cuida do processo apenas quando as acusações envolvem servidores da controladoria ou do alto-escalão do Executivo local.

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