Julgamento de Bolsonaro termina esta semana com sua condenação

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O ministro Nunes Marques confidenciou a colegas do Tribunal Superior Eleitoral que não pedirá vistas do processo que cassará os direitos políticos de Bolsonaro e que o impedirá de ser candidato nas eleições de 2024 (municipais) e de 2026 (gerais).

Bolsonaro voltou a falar com falsa modéstia em candidatar-se a vereador no Rio de Janeiro. Só se for nas eleições de 2028. E, mesmo assim, caso não seja condenado em nenhum dos outros 14 processos a que responde no Tribunal Superior Eleitoral.

É conversa mole dele para despertar a piedade dos seus devotos e manter-se ativo na política por mais algum tempo. Aos mais próximos, Bolsonaro exalta as vantagens de dispor de um mandato eletivo, qualquer um, para se sentir protegido pela Justiça.

Haverá bolsonaristas fiéis a ele até o último dos seus dias, a jurar que não cometeu nenhum dos crimes que lhe são imputados. Não, não abusou do poder político. Não, jamais agiu para derrubar a democracia e instalar uma ditadura no Brasil.

Nunes Marques deverá votar para absolver quem o fez ministro, mas há limites para tudo. Se quisesse, logo na retomada do julgamento nesta terça-feira, poderia antecipar que pediria vistas do processo tão logo chegue sua vez de votar.

De que adiantaria? Ele será o sexto dos sete ministros a votar. Antes disso, estará formada a maioria de votos em desfavor de Bolsonaro. Ficaria claro que o pedido de vistas foi só para suspender o julgamento e retardar a proclamação do resultado.

Ficaria mal com seus colegas de toga, e pior aos olhos da opinião pública. Portanto, que siga o jogo com seu voto. A defesa de Bolsonaro entrará com recurso no Supremo Tribunal Federal para revogar a decisão tomada pelo Tribunal Superior Eleitoral.

É o que lhe cabe fazer. São ossos do ofício. O Supremo rejeitará o recurso por esmagadora maioria de votos – salvo, talvez, os votos de Nunes Marques e de André Mendonça, que também deve sua nomeação a Bolsonaro. Consummatum est.

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