Promessa da natação, Celine Bispo vai ao Mundial e projeta Paris-2024: ‘Posso estar lá’

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O Mundial de Esportes Aquáticos de Fukuoka, no Japão, começa na semana que vem. Mas será daqui a exatamente 15 dias que uma das maiores promessas da natação brasileira cairá na piscina da Arena Marine Messe: Celine Bispo. Com apenas 18 anos, a baiana disputará a competição pela primeira vez. E chega com currículo de respeito. A vaga para o concorrido torneio veio depois de feitos surpreendentes na última edição do Troféu Brasil. Nadadora do Yacht Clube da Bahia, ela disputou quatro provas, alcançou quatro finais e conquistou três pódios. Entre eles, o ouro nos 50m borboleta, com o tempo de 26s26, novo recorde estadual. Também faturou uma prata, nos 100m borboleta, e um bronze, nos 100m livre. Os resultados garantiram a Celine seu retorno ao Mundial Júnior, que será disputado em setembro, em Israel, assim como uma vaga na equipe que disputará os Jogos Pan-Americanos de Santiago, entre 20 de outubro e 5 de novembro. Além, claro, da ida ao Mundial adulto, que começa na próxima sexta-feira (14), no Japão. A baiana não esconde a expectativa de estar entre os melhores do planeta. Celine integrará a equipe do revezamento 4x100m livre. De acordo com a programação divulgada pela Federação Internacional de Natação (Fina), a prova está marcada para o dia 23, com eliminatórias pela manhã/tarde e finais pela noite. Por causa do fuso horário de 12 horas, as competições serão, respectivamente, na noite anterior/madrugada e pela manhã no Brasil. A equipe brasileira não é favorita a medalha. “Eu estou indo pela experiência. Quero, com certeza, dar bons resultados. Se for meu dia de pegar uma semifinal, final, vai acontecer. [Um pódio] acho muito difícil. Mas não vou cair na água com a cabeça me limitando. O que vier é lucro (risos). Quero dar resultados. Que meus melhores tempos sejam lá”, afirma Celine. A ida para o Japão será na quarta-feira (12), com volta agendada para o dia 2 de agosto. Às vésperas da viagem, Celine já garantiu mais um recorde: 59s87, melhor tempo na prova de 100m borboleta júnior 2 do Campeonato Brasileiro Interclubes Júnior de Inverno, na última quinta-feira. O torneio termina neste sábado (8), na Piscina Olímpica da Bahia, no Bonocô. No Troféu Brasil, ela já tinha quebrado uma marca diferente. Há 22 anos, uma nadadora de um clube baiano não era campeã nacional. A última a conquistar tal feito havia sido Nayara Ribeiro, em 2001, também pelo Yacht Clube, nos 800m livre. Ao contrário de Nayara, que era fundista, Celine nada provas de velocidade. “Eu fiquei muito feliz. É bom estar representando bem a Bahia. Infelizmente, o Norte-Nordeste é menosprezado, né? Eu fico bem feliz de estar levando um clube da Bahia. Eu ser da Bahia, estar nadando pela Bahia. Sou bem bairrista quanto a isso, fiz até uma tatuagem para isso, ‘made in Bahia’ (feita na Bahia). Não pretendo sair de Salvador”, disse. Outros talentos da safra atual da natação baiana tomaram rumo diferente, caso de Guilherme Caribé e Samuel Lopes. Caribé, que também disputará o Mundial adulto (nos 100m livre) e o Pan, se mudou para os Estados Unidos no ano passado e tem representado o Flamengo, do Rio de Janeiro, nas provas nacionais; Samuel, que vai para o Mundial Júnior, nada pelo clube Paineiras, de São Paulo. O Mundial adulto será uma importante etapa da sequência que a baiana enfrentará neste segundo semestre. O Mundial Júnior, em Netanya, Israel, já será disputado de 4 a 9 de setembro, só um mês depois. Será a segunda participação da nadadora na competição. Ano passado, em Lima, no Peru, ela fez parte da equipe que conquistou o bronze no 4x100m livre, ao lado de Sophia Coleta, Beatriz Bezerra e Rafaela Sumida. “Muitos técnicos que me conhecem dizem que existem duas Celines: uma antes do Mundial Júnior e uma depois. É realmente uma fase de amadurecimento. Estar lá, ver que são pessoas, que ninguém é sobrenatural… Viver isso, estar lá, assistir tudo de perto, é uma sensação massa”, relembra. Dessa vez, as pretensões são ainda maiores. “Ano passado, consegui a medalha pelo revezamento. Este ano, a perspectiva é medalha individual. Eu estou bem colocada nas provas, acho que vou brigar, vou para final. Vou disputar quatro individuais. Na 100m borboleta, 50m borboleta e 100m livre, eu acredito em medalha. Só acho mais difícil na 50m livre”, projeta. Quando acabar o Mundial Júnior, será hora de outra competição importantíssima: o Pan-Americano, no Chile. As provas de natação acontecerão entre os dias 21 e 25 de setembro. Já entre 31 de outubro e 4 de novembro, Celine estará no Troféu José Finkel, em São Paulo. O campeonato será a seletiva para o Mundial de Doha, em fevereiro de 2024. Técnico de Celine, Murilo Barreto vê o calendário recheado como um “desafio”. Afinal, torneios incluem muitas viagens, equipes diferentes e pouco tempo de treino. Por isso, montar um planejamento exige muito raciocínio. Ao mesmo tempo em que se vê em um quebra-cabeças, o treinador também valoriza as vivências que Celine terá em competições internacionais de renome. “Ciclos tão curtos não são o ideal. Mas é um momento em que ela vai adquirir experiência, competir com os melhores do mundo. Muda a configuração do que é só nadar na Bahia. Aqui, ela não tem concorrência. Em outros países, ela vai sentir o quanto tem que melhorar”. Celine vive a expectativa de disputar também o Mundial dos Esportes Aquáticos no ano que vem, em Doha, no Catar. A competição, em fevereiro, servirá como seletiva para os Jogos Olímpicos de Paris-2024. Algo que o técnico Murilo vê como palpável. “A gente tem o sonho olímpico de Los Angeles-2028, mas Paris-2024 não está distante. A gente está acreditando que é possível ela tentar o índice já agora”, afirma. Celine também se mostra confiante, ainda que mantenha os pés no chão. “Este ano, esses resultados que eu dei me deram segurança de que posso estar lá [na Olimpíada]. Mas não tenho preocupação. Se não for agora, vou na próxima. Eu sou muito mente aberta. Acredito que, se for para ser, será. Então, se for para ser meu ano de estreia, vou. Se não, não tem problema. A gente trabalha para o próximo”. Mesmo sem demonstrar sentir pressão neste momento, a nadadora não esconde: subir ao pódio nos Jogos Olímpicos é seu maior objetivo como atleta. “Medalha olímpica acho que é o sonho de todo mundo. Eu quero muito, muito mesmo, ser um dia finalista olímpica. Se for, na minha história, ter uma medalha olímpica, também quero. Ser campeã mundial, se for para ser”. Este é um ano diferente para Celine. Após ter concluído o Ensino Médio em 2022, ela tirou a temporada para se dedicar exclusivamente à natação. São seis dias de treinos por semana, de segunda a sábado, entre a Piscina Olímpica da Bahia e o Yacht Clube. Em três dias, as atividades são em dois períodos – manhã e tarde -, resultando em nove sessões de treino semanais. Cada uma com 4h de duração. Além disso, academia três vezes na semana. É um dia a dia que pode parecer puxado para qualquer pessoa. Não para Celine. “Eu amo minha rotina. Até comentei com Murilo que esses 20 dias no Japão vão ser difíceis, justamente por sair da rotina. É uma coisa que eu gosto. Gosto de estar no ambiente de natação, dos meus amigos de treino. É uma diversão para mim”. Agora adivinha o que ela gosta de fazer no tempo livre: “Adoro dormir (risos). Ficar em casa, com minha mãe, relaxar. Quando eu voltar das viagens, quero adotar um cachorrinho”. A vida nas piscinas, aliás, começou bem cedo para Celine. O primeiro contato com a natação foi quando tinha 1 ano e meio. Aos 7, ela começou nas competições e não parou mais. A nadadora, inclusive, foi descoberta pelo técnico Luiz Antônio Menezes, o Baixinho, o mesmo que revelou Ana Marcela Cunha. Falecido em 2019, ele era uma referência na natação baiana. Celine está na equipe do Yacht desde 2019. Treinou durante um tempo sob a tutela de Ricardo Santana até começar com Murilo Barreto em 2021. O técnico é visto com grande honra pela atleta. Quando perguntada quem é seu maior ídolo no esporte, a nadadora não titubeia: o treinador. “Admiro muito os atletas, mas admiro muito esse cara. Fiz até uma tatuagem em homenagem a ele. Botei no dedo da aliança, significando um casamento eterno com ele. Porque acho que ele vai me levar para as Olimpíadas. Acho que a gente ainda vai brigar por muita coisa juntos”, elogia. Murilo tem passagem de destaque pelo Comitê Paralímpico Brasileiro e é considerado um grande gestor de pessoas. Para ele, ser técnico é mais do que treinar uma atleta. E é por isso que imagina ser visto com tanta admiração por Celine. “Ela tem uma estrutura física diferenciada. Uma atleta muito forte, que tem uma facilidade natural. Mas talento só não resolve. Celine tinha algumas questões de autoestima, de entender que ela poderia chegar lá. E isso está melhorando cada vez. Esse ídolo que ela fala é isso, eu tentei mostrar o quanto ela é boa. Em todos os sentidos, inclusive como pessoa. Quando a gente é treinador, não é só isso. É um educador. Faz parte esse ganho de personalidade, de autoestima”, comenta Murilo. No ano que vem, Celine quer começar a faculdade de odontologia. Mas não nega uma possível mudança de planos a depender dos resultados na água. “Vou empurrando com a barriga (risos). Quero tentar iniciar no começo do ano, não quero deixar a faculdade dois anos em aberto. Mas, com fé em Deus, vou conseguir a classificatória para Doha, que vai ser uma das seletivas olímpicas. E aí não conseguiria fazer a faculdade no começo do ano. Aí jogo para metade do ano. Entrego nas mãos de Deus. O que tiver que ser será”.
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