Transplante de rim: “Estou indo para a fila pela 3ª vez”, diz paciente

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Três vezes por semana, a empreendedora Janaína Nunes, de 44 anos, passa quatro horas conectada a uma máquina de diálise. Ela é uma das 37 mil pessoas que estão esperando uma doação de rim no Brasil — a fila representa mais da metade das pessoas esperando por um órgão no país.

A diferença é que esta é a terceira vez que Janaína entra na lista. Ela já recebeu um transplante de rim de sua mãe, outro da irmã, e agora, novamente com doença renal crônica, precisa de um novo órgão. Porém, desta vez, não há ninguém da família que possa fazer a doação.

O primeiro transplante de rim “Aos 24 anos, comecei a emagrecer muito rápido. Treinava bastante, mas em um mês perdi uns 15, 20 quilos”, lembra. A empreendedora procurou um médico para investigar a perda de peso e descobriu várias pedras no rim esquerdo. Ela foi diagnosticada com doença renal crônica, e a inflamação era tão grande que os médicos recomendaram retirar o órgão inteiro.

Após a cirurgia, porém, o rim direito entrou em colapso. Janaína entrou na fila do transplante pela primeira vez, e começou a fazer diálise enquanto esperava o órgão.

O rim é um dos poucos órgãos que pode ser transplantado entre indivíduos vivos, mas o procedimento só pode ser feito por parentes diretos do paciente. A mãe da empreendedora fez o exame, e descobriu uma compatibilidade de 25% — o suficiente para a cirurgia. Aos 26, Janaína passou pelo primeiro transplante de sua vida.

“Foi uma alegria. Fiquei transplantada com o rim da minha mãe por dois anos. Porém, engravidei e, com as mudanças do corpo durante a gestação, tive uma rejeição e perdi novamente o rim”, conta.

Os rins são órgãos responsáveis por filtrar o sangue, removendo toxinas que circulam no corpo O segundo transplante de rim Janaína teve sua primeira filha, que nasceu completamente saudável, mas precisou voltar para a fila de espera do transplante. Ela ficou mais um ano fazendo sessões de diálise, até que um exame mostrou que o rim de sua irmã, Jussara, era 100% compatível.

“No começo, assumo que eu não queria, tinha medo. Meus dois filhos eram pequenos, o menor tinha quatro anos. Mas minha irmã estava muito ruim — ela pegou uma infecção no catéter e estava correndo muito risco. Os médicos me disseram que eu era a melhor esperança dela. Aí, tomei coragem”, recorda Jussara.

A melhora de Janaína foi imediata. No geral, pacientes que passam pela cirurgia ainda precisam de um período de adaptação, seguindo com a diálise até que o corpo se estabilize. No caso da empreendedora, esse passo não foi necessário. Parecia até milagre.

E foi — por 13 anos. “Nunca tive nenhuma intercorrência, fui bem saudável por esse tempo, até que a doença voltou. Voltei a ter nefrite, essa inflamação forte no rim. Há um ano e meio, estou de volta na máquina de diálise”, lamenta Janaína.

A máquina de diálise substitui os rins, fazendo a filtragem do sangue e removendo os resíduos e excesso de líquidos do corpo. “Eu praticamente não faço xixi e, como tenho que tomar muito líquido, acabo ficando muito inchada. Mas não considero a hemodiálise como o fim. Coloquei na minha cabeça que é um tratamento, pode ou não ser para o resto da vida. Adoraria passar pelo transplante de rim de novo, mas a máquina não me limita. Sem ela, eu não estaria aqui”, pondera.

Jussara lamenta que a irmã precise passar por toda essa jornada de novo. “Ela sofre, tem dias que está fraca e pega muitas infecções. Janaína já fez cateter no pescoço, no braço, e isso vai criando feridas”, conta a confeiteira. “Se eu tivesse outro rim, doaria novamente. Não só para ela, para quem quer que precise. Doar é um ato de amor”, afirma.

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