Gilmar rebate Pacheco e diz que STF acabou com criminalização da política e garantiu eleição

Publicado:

compartilhe esse conteúdo

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes resgatou o papel da Corte durante o período do governo de Jair Bolsonaro (PL) para se contrapor à proposta de reforma do tribunal capitaneada pelo presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG).

Como mostrou o Estadão, o Congresso tem articulado a tramitação de projetos para limitar o poder da Suprema Corte, que propõem desde restringir decisões monocráticas (individuais) dos ministros até determinar um período fixo para mandato dos magistrados.

“Se a política voltou a ter autonomia, eu queria que fizessem justiça, foi graças ao Supremo Tribunal Federal. Se hoje nós temos a eleição do presidente Lula, isso se deve a uma decisão do Supremo Tribunal Federal. É preciso reconhecer isso”, afirmou Gilmar Mendes, neste sábado, 14, após criticar a atuação do Ministério da Defesa durante as últimas eleições.

“Se a política deixou de ser judicializada e de ser crimininalizada, isso se deve ao Supremo Tribunal Federal”, acrescentou, se referindo ao freio colocado pela Suprema Corte sobre a força-tarefa da Lava Jato.

Gilmar e Pacheco estiveram frente a frente na manhã deste sábado durante o Fórum Esfera Internacional, em Paris, e discutiram a reforma no Judiciário brasileiro. Cotado a ministro da Suprema Corte, o presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Bruno Dantas, também participou do debate, mas foi mais moderado nas palavras.

Durante sua fala, o decano do STF reforçou a importância de os fatos que ocorreram no passado recente do País não serem esquecidos. “A luta contra o poder ou contra o poder absoluto envolve uma luta da memória contra o esquecimento. A gente tem que reavivar o papel que cumpriu o STF em todo esse período extremamente difícil, às vezes até de maneira quase isolada”, disse.

Em seguida, Gilmar afirmou que é necessário discutir outras reformas mais importantes antes de se falar na reforma do Judiciário. E considerou, até mesmo, o debate sobre o semipresidencialismo.

“Hoje, se eu fosse discutir uma reforma importante, eu diria, presidente Pacheco: ‘O Ministério da Defesa não poderia ser ocupado por ministro militar, teria que ser por um civil’. Eu faria listas de reforma relevantes, mas algumas de compreensão básica, como o papel das Forças Armadas no artigo 142. O que nós podemos fazer para que o sistema se estabilize?”, disse.

Citado por Gilmar, o artigo 142 da Constituição Brasileira foi usado por aliados do ex-presidente Bolsonaro para defender uma intervenção das Forças Armadas nas eleições a pretexto de “restaurar a ordem”.

‘Crise de credibilidade’

Rodrigo Pacheco defendeu, no evento em Paris, mudanças no funcionamento dos Poderes para responder à “crise de credibilidade” enfrentada por eles. Uma das ideias é limitar os que podem apresentar ações ao STF para evitar que a Suprema Corte tenha “contato constante com a sociedade”.

“Deve ser implementada a limitação de acesso ao STF para evitar que tenha ponto de contato constante com a sociedade em função das decisões que seja instado a fazer, e reservar o STF às decisões mais relevantes de índole mais constitucional”, disse.

A proposta, segundo Pacheco, poderá ser colocada em debate, assim como projetos para estabelecer mandato para ministros do STF e para disciplinar decisões monocráticas – concedidas individualmente pelos magistrados.

Compartilhe esse artigo:

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Ex-juiz Jonas Modesto é nomeado consultor jurídico do GDF

O ex-juiz Jonas Modesto foi nomeado consultor jurídico do gabinete da governadora Celina Leão, no Distrito Federal, conforme edição extra do Diário Oficial...

Cão da família também morreu em grave acidente na BR-251 em MG

Resumo: Um grave acidente na BR-251, em Salinas, no norte de Minas Gerais, deixou seis pessoas da mesma família mortas e um cachorro...

Europol identifica paradeiro de 45 crianças levadas pela Rússia

A Europol informou nesta segunda-feira que localizou o paradeiro de pelo menos 45 crianças ucranianas retiradas à força pelas forças russas de territórios...