Amor ao esporte: Guarda Municipal baiano garante vaga para Etapa Mundial de Triathlon sediada em Portugal

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Encarando uma jornada de amor ao esporte e superação, o atleta baiano de triathlon e guarda municipal há 15 anos em Salvador, Juarez Benício, garantiu no dia 14 de abril deste mês uma vaga para a Etapa Mundial de Triathlon, que será realizada em Portugal.

 

O resultado demorou, mas veio. Segundo relatos de sua esposa, Juarez sentiu que não treinou o suficiente e quase pensou em desistir por conta do alto custo imposto pelo esporte.

 

Em entrevista ao Bahia Notícias, o baiano contou sobre a sua rotina do dia-a-dia e explicou o método que utiliza para conseguir manter a vida de pai, marido, atleta e servidor público. Apesar das dificuldades, o esportista é um total entusiasta da modalidade mesmo sem abrir mão dos seus afazeres.

 

“Eu tenho uma escala administrativa, trabalho oito horas por dia, mas mesmo assim consigo treinar. A gente precisa acordar muito cedo, geralmente eu acordo em casa às quatro da manhã para que eu treine de duas às seis horas até minha rotina de fato começar de uma forma normal, que é quando eu me preparo para trabalhar e realizar meus afazeres. Após o meu expediente, me sobra uma hora antes de pegar meu filho na escola para nadar, precisamos treinar todos os dias pelo menos duas vezes ao dia. Nos finais de semana eu aproveito um pouco mais para treinar”, contou Juarez.

 

Juarez Benício treinando durante sua rotina | Foto: Acervo Pessoal

No triathlon desde 1998, quando entrou para a Universidade Católica de Salvador, o atleta é graduado em educação física e já realizava atividades de nado e corrida de uma forma considerada “despretensiosa”. O baiano revelou receber incentivo dos seus colegas de faculdade que também praticavam esportes e a partir dali as portas passaram a se abrir. Mesmo após o encorajamento, Juarez aponta que já era fã da modalidade e que tudo se passava apenas de uma “brincadeira” até levar o hobby um pouco mais a sério.

 

“Eu sempre tive um desejo de fazer Triathlon, que é muito difícil, pois consiste em pedalar, nadar e correr de uma só vez. Essa brincadeira começou em 98 e de lá pra cá, durante todo esse tempo eu venho participando de todas as provas que tiveram aqui em Salvador, com exceção do período da pandemia, que ficou suspenso. Foi um momento difícil pra gente, por conta dessa falta, pois o esporte é uma dopamina que chega em cima da gente e é impossível ficar sem fazer. Estamos ali todo o dia correndo, sofrendo, se acabando e cansados, mas a gente faz todos os dias”, compartilhou o atleta.

 

Apesar de fazer juras de amor ao Triathlon, Benício sempre levou o fator financeiro como um expoente muito dificultante para a progressão da sua jornada, falta de estrutura e apoio na cidade, logística, geografia e segurança também são outro fatores que o mesmo considera importantes para quem desejar seguir a carreira esportiva.

 

Juarez também se sensibilizou com as pessoas que não possuem uma renda alta, alegando que o custo para as inscrições das competições é alto para o padrão da maioria dos atletas brasileiros. Com muitas dificuldades, o esportista consegue se planejar para manter a sua paixão viva pela modalidade.

 

Foto: Acervo Pessoal

“O triathlon em si é um esporte caro. A gente ainda consegue treinar com todas as dificuldades, não são só dificuldades financeiras, temos dificuldades com logísticas de lugares para treinar. Salvador é uma cidade que geograficamente é complicada para pedalar e correr, não temos acesso a tudo. Hoje a pista da UFBA, na Ondina, onde usávamos para fazer alguns treinos está fechada, não temos acesso. Também existe a pista do exército, na Pituba, que também segue fechada. Pedalar em Salvador é muito complicado por conta do trânsito, da geografia, qualidade de asfalto, e das obras. Não existe um lugar onde possamos dizer que dá pra pedalar com segurança. Também não temos segurança policial, acordar 4h da manhã com equipamento caro é complicado e também tem a questão da educação de trânsito que é complicada, os motoristas não respeitam e acham que as estradas são qualquer coisa”, denunciou.

 

“Existe a questão financeira também, que é caro começando pela própria inscrição, que custa em torno de mil reais. Mil reais é a realidade de quase um salário mínimo da maioria dos brasileiros que estão trabalhando, existem também aqueles que não trabalham e para conseguir um dinheiro desse é complicado. Para nós que somos funcionários públicos e que a renda não é tão alta, dá pra ponderar muita coisa, primeiro pensamos nas coisas da casa, para depois pensar em si. O triathlon na verdade é um hobby meu, mas tá no sangue e eu não me vejo sem fazer isso. Acordo todo dia às 4h às vezes sem força e com preguiça, mas não deixo de sair, faça chuva ou faça sol, eu vou treinar todos os dias”, concluiu.

 

PREPARAÇÃO PARA O MUNDIAL

O servidor público iniciou sua preparação para o mundial em novembro de 2023, quando foram anunciadas no Brasil as classificatórias para a disputa em Portugal, que acontecerá no verão de 2025. Juarez disputou o circuito realizado em Salvador, em Piatã, no dia 14 de abril, e confirmou que mais uma competição ocorrerá em agosto, no Rio de Janeiro.

 

Sobre a disputa na Bahia, o atleta baiano revelou que enfrentou condições muito difíceis para a disputa da competição, mas alegou que as dificuldades se tornaram o combustível para performar da melhor maneira no decorrer do circuito. Ao todo, o guarda municipal nadou por 900 metros, fez 45 km de ciclismo e finalizou com uma corrida de 10,5 km, sacramentando a sua ida para a disputa do mundial em Portugal e garantindo o seu passaporte.  

 

“O mar estava mexido, choveu durante a prova e havia muito temporal durante a semana, mas quanto mais difícil melhor, a gente gosta assim, é isso que nos move. Temos que fazer um ciclo de meses, aproximadamente quatro para chegar lapidado no dia da prova. Eu fiquei na dúvida de participar, principalmente por conta do financeiro e para ir à Portugal, que é caro, mas a gente dá um jeito”, pontuou.

 

Juarez comemora conquista de mais um circuito | Foto: Acervo Pessoal

 

Para Juarez Benício, as adversidades durante o ciclo são extremamente difíceis e até mesmo desgastantes, mas se mostra sempre grato pelo resultado obtido no final. As “noites mal dormidas e abdicações” o fazem perceber que todo o seu esforço valeu a pena e que a sua dedicação ao Triathlon nunca deixou de ter sido em vão. 

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