Voluntário relata problemas em abrigos de Porto Alegre

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Em meio às fortes chuvas que assolam o Rio Grande do Sul desde abril, mais de 76 mil pessoas estão em abrigos espalhados pelo estado. Muitos destes alojamentos enfrentam uma série de problemas, seja de violência ou na distribuição de alimentos e roupas.

É o que relata o estudante de direito Diego Crivelaro, que trabalhou como voluntário em seis abrigos em Porto Alegre. “Há abrigos que limitam prejudicialmente o acesso a alimentos, tanto para voluntários quanto para acolhidos, visando ficar com os suprimentos para si”, denuncia.

Ainda sobre a alimentação nos alojamentos, o voluntário conta que há “abrigos em que a alimentação dos voluntários é melhor que a dos abrigados”. Já as doações de roupa passam por uma triagem na qual os voluntários ficam com as melhores peças, acusa Crivelaro. “⁠Falta também cooperação entre abrigos no sentido de compartilhamento de doações”, complementa.

Diferença social e violência O estudante de direito destaca a desigualdade social e estrutural nos abrigos da capital gaúcha. “Em abrigos de bairros nobres, com melhores condições financeiras, são incontáveis os recursos oferecidos aos acolhidos, o que não se percebe em alojamentos situados em regiões mais carentes da cidade”, observa.

Há também as expulsões de acolhidos, quando a comunidade dos alojamentos condena uma ação cometida pelo abrigado. Com isso, surgem os casos de linchamento. “Quando há conflitos entre pessoas no abrigo ou conflitos entre facções, buscamos separar as pessoas em abrigos diversos, para impedir situações de violência”, conta Crivelaro.

Outro desafio são os abrigos onde os acolhidos ficam distribuídos em vários ambientes – nas escolas, cada grupo de abrigado fica em uma sala de aula, por exemplo. “Nesses locais, a segurança é desafiadora, sendo necessários mais voluntários para a segurança de cada ambiente. Há mais violências nesses locais”, conta o voluntário.

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