Com paródias de músicas cantadas por Ivete e Saulo, grupo reza trezena de Santo Antônio em Salvador

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“Trezena de junho é tempo sagrado na minha Bahia…”, o trecho da canção, “Que Seria de Mim”, proclamada por Maria Bethânia, ilustra e descreve como o sexto mês do ano é celebrado em território baiano. Além da festa de São João, outro importante festejo ocorrido no período é a tradicional trezena de Santo Antônio. 

 

Entre o dia 1º de junho até o dia 13, quando ele é celebrado, diversos devotos e fiéis realizam o ato em que honra ao padroeiro dos pobres que é conhecido também como ‘casamenteiro’ e ‘milagroso’. Com cantigas, ladainhas e outros tradicionais cânticos, os seguidores do santo pedem, rezam e celebram os milagres conquistados através dos pedidos. 

 

Porém, como tudo na Bahia tem uma característica e uma ‘pitada de sal’ diferente, Santo Antônio é celebrado de uma forma atípica na capital baiana por uma devota em específico. 

 

A técnica de laboratório Verônica Souza reúne familiares, vizinhos e amigos há 25 anos e reza com as tradicionais músicas de Santo Antônio, a exemplo a ‘Ladainha’, ‘Responso’ e o ‘Salve’.  

 

No entanto, os treze dias de oração dela têm um incremento especial no repertório de músicas. Além das tradicionais cantigas, o grupo reunido pela devota produz e canta paródias da Música Popular Brasileira (MPB). 

 

 

Composições de Roberto Carlos, Carlinhos Brown e Fagner, são algumas das músicas em forma de paródias, que estão no livro de cânticos do grupo intitulado de Trezena Itinerante. 

 

O repertório conta também com canções de artistas baianos, a exemplo de Bell Marques, Ivete Sangalo e Saulo Fernandes. 

 

As paródias ganharam novos nomes e fazem parte de algumas das composições cantadas nas 13 noites da Trezena. ‘Diga que Valeu de Bell Marques’ se tornou ‘Diga que a Trezena Valeu’, Voa Voa virou ‘Pra ver Santo Antônio Eu vou’, ‘Tão Sonhada’ de Saulo é  ‘A Trezena Tão Sonhada’; e ‘Pra Frente de Ivete Sangalo’, transformou-se em  ‘A Trezena Vai’. 

 

De acordo com a fiel, a inspiração e o motivo que a levou para realizar e cantar as paródias além das composições tradicionais ocorreu com o propósito de atrair os jovens e crianças, que, conforme explicação, tinham um pouco de dificuldade com as músicas mais antigas. 

 

“Cantar algumas paródias foi uma maneira de chamar atenção e atrair os mais jovens e as crianças. Eles tinham uma certa dificuldade com algumas das músicas mais tradicionais de Santo Antônio, já que algumas delas têm até trechos em latim ou outra língua. É uma forma diferente de rezar e se identificar com Santo Antônio”, contou a devota ao Bahia Notícias. 

 

Ela disse ainda sobre o seu processo de escolha das canções e a forma que as respectivas paródias são criadas e compostas. Segundo Verônica, “músicas bonitas, respeitosas e de família” fazem parte do repertório. 

 

“Optei por fazer paródias de músicas respeitosas, de belas melodias, conhecidas e que fosse de fácil entendimento para todos. Canções para gente celebrar, honrar, se animar e se alegrar a ele [Santo Antonio]. Entregar nossos dons e nossa alegria a Santo Antônio de um modo diferente, mas sem perder o tradicional, já que cantamos as músicas dele mais antigas sem perder a devoção”, observou. 

 

 

PEREGRINAÇÃO

E, por falar em fé e devoção, a Trezena realizada por Verônica desde o início é marcada também por graças e bênçãos alcançadas. Ela, que desde a infância é uma admiradora do santo, decidiu fazer sua própria reza com familiares e vizinhos após ter um pedido atendido pelo santo, no ano de 1999.  

 

“Eu participava das missas de Santo Antônio todas as terças-feiras, na igreja de São Francisco, no Pelourinho. Na época, pedia muito a ele um trabalho e logo depois consegui conquistar o tão esperado emprego. Além disso, comecei a trabalhar justamente no dia 13 de junho, dia dedicado a ele.  Após essa promessa ser cumprida, comecei a rezar minha própria trezena, sozinha em casa. Quando me mudei, fui convidando vizinhos, amigos, colegas e familiares para rezarem comigo em louvor a Santo Antônio”, relatou Souza. 

 

Além das marcas de fé, tradição e inovação, a peregrinação também faz parte da trezena feita por Verônica. Além de celebrar em sua residência, no bairro do Cabula, alguns dias da ‘Trezena Itinerante’ acontecem nas casas de familiares, amigos e vizinhos da devota, que acompanham e participam do grupo de oração. 

 

“Realizamos a trezena de forma itinerante para contemplar outros seguidores que desejavam receber a Trezena em suas residências. É um jeito de fazer com que Santo Antônio vá até a casa dessas pessoas, até porque ele sempre foi um santo peregrino, que ia até aos que mais precisavam. Quando rezamos na casa dessas pessoas, levamos o abraço acolhedor e o amor de Santo Antonio”, observa a fiel. 

 

Outra característica do grupo é a modernidade. Todos os dias da reza tem transmissão ao vivo das redes sociais desta trezena. 

 

 

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