Um dos momentos mais tensos em Tel Aviv foi registrado no primeiro dia de recrutamento militar para os judeus ultraortodoxos, com cerca de 100 manifestantes protestando em frente ao centro de recrutamento militar de Tel Hashomer. Esta convocação ocorreu após a anulação da isenção que os ultraortodoxos tinham em relação ao serviço militar, uma tradição questionada pelo Supremo Tribunal de Israel. Hoje, 600 haredim foram chamados a se apresentar nos escritórios de recrutamento israelenses, com mais 500 agendados para amanhã (6), conforme relatado pelo jornal “Yedioth Ahronoth”, prevendo-se mais manifestações ao longo do dia.
Durante os protestos, alguns ultraortodoxos gritaram “Para a prisão e não para o Exército”, conforme mostrado em um vídeo da emissora pública “Kan”, onde também foram registrados confrontos entre policiais e manifestantes, que chegaram a atacar os agentes e empurrá-los para fora da estrada. Para evitar confrontos, a polícia bloqueou as vias de acesso ao centro de recrutamento em Tel Hashomer, impedindo que os manifestantes se aproximassem dos recrutas que optaram por atender à convocação do Exército.
Na própria entrada do centro, alguns manifestantes distribuíram panfletos com informações de associações haredim e a mensagem: “Caro jovem, teve problemas com as autoridades militares? Não hesite, entre em contato com uma destas organizações para obter assistência gratuita”. Estima-se que apenas um terço dos convocados de fato servirá nas Forças Armadas, uma vez que líderes espirituais haredim orientaram a desobediência às ordens de recrutamento.
Desde a eliminação da isenção militar para os ultraortodoxos, expressada pelo rabino Dov Lando em 11 de julho, houve manifestações de desaprovação. Alguns anúncios no bairro ultraortodoxo Mea Shearim, em Jerusalém, alertaram para a gravidade da situação, destacando a crescente pressão para o recrutamento. Grupos como o Movimento para um Governo de Qualidade em Israel condenaram veementemente as manifestações violentas em frente ao escritório de recrutamento militar, prometendo utilizar meios legais para garantir a igualdade no serviço militar.
A sociedade civil israelense tem debatido intensamente a questão do recrutamento dos haredim, que representam cerca de 13% da população do país. O Supremo Tribunal israelense considerou que não há justificativa legal para excluir os ultraortodoxos do recrutamento, estabelecendo a regra de que aqueles que não servirem não terão acesso a subsídios públicos. Após a recente mobilização de reservistas devido à guerra na Faixa de Gaza, aumentou a pressão para que todos os jovens israelenses cumpram o serviço militar, incluindo os haredim. Assim, aproximadamente 67 mil homens ultraortodoxos elegíveis estão iniciando gradualmente sua entrada nas Forças Armadas de Israel.

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