O adeus à Getúlio Vargas

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25/08/1954/ 00:14

A responsabilidade pelas decisões relacionadas ao funeral do ex-presidente Getúlio Vargas foi transferida por Dona Darcy Vargas para sua filha. Alzira, visivelmente transtornada, passou o dia sentada numa poltrona em frente ao caixão, sem derramar uma lágrima. Quando questionada sobre as homenagens militares oferecidas pelo governo e o local de sepultamento de Getúlio, ela simplesmente afirmou que seu pai retornaria à sua terra natal, São Borja, rejeitando as honras militares.

Também recusou a oferta do brigadeiro Eduardo Gomes de utilizar aviões da FAB para transportar o corpo, familiares e amigos. Com altivez, Alzira agradeceu, pontuando que a família já havia aceitado o mesmo oferecimento da companhia aérea particular Cruzeiro do Sul.

O voo da Cruzeiro do Sul seguirá diretamente para São Borja, sem escalas em Porto Alegre para evitar possíveis tumultos na cidade. A notícia do suicídio de Getúlio desencadeou atos de vandalismo e correrias nas ruas. As sedes do PSD e PSS foram danificadas, assim como instalações de jornais, do Consulado Americano, do National City Bank of New York, da Importadora Americana, da Rádio Difusora e do Círculo Militar, que foram depredadas e incendiadas, com a Polícia Militar e Bombeiros locais incapazes de conter a violência.

A Diretoria da Aeronáutica Civil determinou a interdição do aeroporto Santos Dumont das 8h às 13h. O tráfego aéreo foi desviado para o aeroporto do Galeão. Essas medidas começaram a conscientizar os habitantes do Rio de Janeiro de que a despedida final de Getúlio estava se aproximando.

As demonstrações de luto e emoção se intensificaram. Os soluços pareciam ecoar alto perto do caixão preto sob a tampa de vidro no Palácio do Catete. Bilhetes com mensagens comoventes foram rapidamente acumulados ao redor do caixão. Um homem simples se aproximou por volta das 22h e colocou com delicadeza um Novo Testamento sobre a urna funerária, contemplando por um momento o crucifixo presente nas mãos do falecido Presidente. Sem olhar para trás, saiu silenciosamente. Eram 23h59 do dia da trágica morte de Getúlio.

(Publicado aqui em 25 de agosto de 2004, 50 anos após a morte do presidente Getúlio Vargas)

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