Transferência de fiscalização de armas de CACs emperra no governo Lula

Publicado:

compartilhe esse conteúdo

O processo para transferir a fiscalização de armas de caçadores, atiradores e colecionadores (CACs) das Forças Armadas para a Polícia Federal está paralisado no governo federal. A medida é vista como essencial para conter o aumento descontrolado do armamento nas mãos de civis e foi duramente criticada pelo PT durante o governo Bolsonaro.

Nesta quinta-feira, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, anunciou que adiará o processo por no mínimo seis meses, deixando a fiscalização de armas em um impasse, conforme especialistas ouvidos pelo Estadão.

Ministério da Justiça, Exército e Polícia Federal concluíram suas etapas para transferir as responsabilidades. Os militares passaram o Sistema de Gerenciamento Militar de Armas (Sigma) – o banco de dados das armas dos CACs – para a PF, que integrou essas informações à sua plataforma, o Sistema Nacional de Armas (Sinarm).

No entanto, servidores envolvidos na operação reclamam da demora do governo em cumprir sua parte. A PF fez pedidos ao Palácio do Planalto, como autorização para concurso, recursos para contratações e publicação de decreto para reestruturação administrativa. A corporação destaca a necessidade de uma coordenação específica para o controle de armas.

Preocupações se concentram no volume de armas sob responsabilidade da PF, que herdará a fiscalização de 900 mil CACs e 1,3 milhão de armas. Atualmente, o Sinarm controla 3 milhões de armas.

O prazo para a transferência termina em janeiro, e sem recursos e estrutura adequados, a fiscalização pode ser comprometida. O diretor-geral da PF solicitou o adiamento do prazo e servidores estão passando por treinamento para assumir a nova atribuição.

Cabe ao Ministério da Gestão e Inovação avaliar a demanda por estrutura. O governo Lula, que criticou a flexibilização do porte de armas por Bolsonaro, implementou restrições e regras mais rígidas para o setor.

O tema virou um campo de disputa entre governo e oposição. O ministro Lewandowski defendeu a regulação da circulação de armas no país, citando especialistas que indicam que mais armas levam a mais mortes.

Contudo, a capacidade do Exército em fiscalizar armas foi questionada pelo Tribunal de Contas da União, que apontou deficiências que se agravaram nos últimos anos. A sociedade civil também alerta para o aumento de armas nas mãos de civis. Segundo especialistas, é necessário um programa nacional de recompra de armas para evitar que elas alimentem o mercado ilegal.

Compartilhe esse artigo:

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Se o Estreito de Ormuz for reaberto, nunca haverá acordo, diz Trump

Resumo curto: o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, estendeu o cessar-fogo no Oriente Médio e condicionou qualquer avanço nas negociações a uma...

PM prende homem e apreende drogas em Alto de Coutos

Nesta segunda-feira, na região de Alto de Coutos, policiais da 18ª CIPM prenderam um homem durante ronda por tráfico de drogas. Três suspeitos...

Após atrito no PSB, governo troca ministro do Empreendedorismo

Resumo rápido: o recém-empossado ministro do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, Tadeu Alencar (PSB), deixou o cargo após 18...