YMCA, de hino gay à masculinidade trumpista (Por Pedro Adão e Silva)

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Na virada dos anos 70 para os 80, um anúncio singelo em uma revista à procura de “tipos machos” para dançar com bigode desencadeou a formação dos Village People. Sob o comando de Jacques Morali e com Victor Willis nos vocais, o grupo projetava uma imagem que mesclava estereótipos masculinos americanos com fantasias homoeróticas, resultando em um sucesso estrondoso. Com hits como “Macho Man” e “YMCA”, a banda encantou multidões e marcou época.

Contudo, o que era originalmente uma expressão descontraída de uma subcultura underground gay, ganhou uma nova conotação política com a apropriação de Donald Trump. Durante um de seus eventos, Trump surge dançando timidamente ao som de “YMCA”, ao lado de uma versão renovada dos Village People, em meio a uma plateia majoritariamente branca e protestante. Esse momento peculiar evidencia a união entre oligarcas tecnofeudais e tradicionalistas neoreacionários, se utilizando de um hino gay como símbolo de seu movimento MAGA.

A letra de “YMCA” traz à tona um chamado para que os jovens encontrem diversas formas de se divertir, ecoando imaginários de dominação masculina. Essa narrativa sustenta a nova forma de poder político e financeiro que permeia o cenário atual, onde a masculinidade de balneário e a competição viril são enaltecidas como essenciais. Esse culto à masculinidade é um reflexo da preocupação MAGA e da busca por uma identidade baseada na virilidade e na assertividade, moldando um novo paradigma de poder e afirmação.

Village People – Y.M.C.A

Village People – Participação em Evento de Donald Trump

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