Reclamações de autistas contra planos de saúde no DF aumentam 36%

Publicado:

compartilhe esse conteúdo

O aumento de 36% nas reclamações de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) contra planos de saúde no Distrito Federal reflete a difícil realidade enfrentada por esses pacientes. Questões como descredenciamento, negativas de atendimento e limitações de terapia são apenas algumas das situações que contribuem para esse cenário.

No ano de 2023, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) registrou 265 reclamações, número que saltou para 362 em 2024. Um desses casos é o de Kássia Bayma, de 37 anos, e seu filho Luís Miguel, de 7 anos, diagnosticado com autismo aos 3 anos. A família, diante da necessidade de cuidados específicos para o filho, aderiu a um plano de saúde, porém enfrentou uma série de dificuldades.

Kássia relata que após problemas com descredenciamento da rede e falta de locais credenciados para atender seu filho, precisou mudar de plano. Mesmo buscando apoio em órgãos como a ANS e a Defensoria Pública (DPDF), as soluções não foram efetivas, o que a levou a realizar outra mudança de convênio.

Atualmente, ela aguarda o término do período de carência do novo seguro para retomar o acompanhamento médico de seu filho. Enquanto isso, a falta de terapia pode acarretar retrocessos no tratamento, impactando diretamente na qualidade de vida da criança.

A Associação Brasileira de Autismo Comportamento e Intervenção (Abraci) destaca a alta demanda envolvendo a dificuldade de acesso a terapias específicas para autistas via planos de saúde. A presidente da Abraci, Lucinete Ferreira, ressalta que o autismo demanda acompanhamento contínuo e que os obstáculos com convênios de saúde podem prejudicar esse processo, atrasando o desenvolvimento dos pacientes.

Diante desse cenário, a Abraci oferece suporte às famílias, orientando sobre opções legais, como a judicialização do caso em parceria com a Defensoria Pública do DF (DPDF), buscando garantir o acesso necessário aos cuidados de saúde adequados.

Consequências para os pacientes

Como ressalta Kássia, a falta de terapia adequada pode acarretar regressões no tratamento, colocando em risco a evolução e bem-estar do paciente autista. É fundamental superar os obstáculos enfrentados atualmente para assegurar o direito à saúde e progresso no tratamento dessas pessoas.

kassia filho autismo 1

Kássia e o filho

Arquivo pessoal

Facebook Comments

Compartilhe esse artigo:

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Salvador recebe investimento de R$ 29 milhões para obras em nove bairros

O presidente da Conder, José Trindade, anunciou neste domingo a implementação de novas obras de contenção de encostas em Salvador. Segundo o gestor, as...

Vazamento do Instagram expõe dados de mais de 17 milhões de usuários

Dados de 17,5 milhões de usuários do Instagram estão circulando entre grupos de cibercriminosos, de acordo com a Malwarebytes Labs. A divulgação aponta...

Primeiro dia de matrícula na rede estadual será voltado para pessoas com deficiência; saiba como fazer

O primeiro dia de matrícula na rede estadual de ensino da Bahia será dedicado às Pessoas com...