Campos Neto diz que informou Comissão de Ética Pública sobre cargo no Nubank, mas governo nega

Publicado:

compartilhe esse conteúdo

A Comissão de Ética Pública (CEP) negou ter recebido consulta do ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, sobre potenciais conflitos de interesse ao anunciar seu novo cargo no Nubank. Em comunicado, a fintech afirmou que a informação havia sido comunicada.

 

A CEP, vinculada à Presidência, destacou que Campos Neto não consultou a comissão antes de aceitar o cargo. Segundo a normativa, após seis meses da saída do cargo, ele está livre para atuar no setor privado, mas deve evitar divulgar informações privilegiadas.

A lei estabelecida em 2021 proíbe a atuação de ex-presidentes do BC em instituições sob sua fiscalização durante seis meses após a saída. Nesse período, eles recebem uma remuneração compensatória do Banco Central.

Os advogados de Campos Neto afirmam que não é necessário autorização prévia da CEP para trabalhar após 1º de julho, data em que se encerra o período de quarentena. Destacam que ele comunicou a comissão por respeito à administração pública.

O presidente da CEP, Manoel Caetano, entretanto, contesta que o ex-presidente tenha feito essa comunicação. Conforme Gustavo Justino de Oliveira, professor de direito público, é a primeira vez que um ex-presidente do BC anuncia um novo cargo no setor financeiro durante a quarentena.

A lei 12.813 de 2014 requer que agentes públicos informem a CEP, mesmo que apenas a intenção de aceitar propostas no setor privado. A omissão pode ser considerada uma violação. Funcionários do Nubank, sob anonimato, afirmam que não há contrato formalizado com Campos Neto, que ainda pode recusar a proposta.

Conforme a comunicação da fintech, Campos Neto deve ocupar os cargos de vice-presidente do conselho e chefe global de políticas públicas, função que visa influenciar decisões governamentais.

Questionado, o Nubank não especificou se implementará medidas de governança para impedir o uso de informações privilegiadas. A CEP é responsável por investigar possíveis violações éticas, mas atualmente não há um processo de apuração em andamento.

A lei de conflito de interesses veda que ex-autoridades aceitem cargos ou vínculos profissionais relacionados ao que desempenhavam anteriormente, necessitando de formalização para caracterizar violação. Segundo o Nubank, Campos Neto atuará na formulação de políticas e regulações no cenário internacional.

Campos Neto ocupou a presidência do Banco Central de 2019 até 2024 e possui uma carreira de mais de duas décadas em importantes instituições financeiras.

A professora da FGV, Alketa Peci, aponta para um possível caso de captura regulatória, onde reguladores no governo transitam para o setor privado, um fenômeno conhecido como “porta giratória”. Ela ressalta que a expertise em regulamentação é altamente valorizada no mercado.

O que você pensa sobre essa movimentação de Campos Neto? Deixe seu comentário abaixo.

Facebook Comments

Compartilhe esse artigo:

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Juiz pede exoneração do TJSP após ser alvo de busca e apreensão

Meta descrição: Ex-magistrado Marcello Perino é exonrado do TJSP após investigações sobre favorecimento de parentes em falências e recuperações judiciais, evidenciando a chamada...

Prefeito de Cascavel abre processo após menina ser levada por engano por avô de outra aluna

Caso inusitado em Cascavel (PR) envolve a liberação de uma aluna de 4 anos por engano na Escola Municipal Artur Carlos Sartori. A...

Secretário diz que EUA veem Brasil como parceiro em minerais críticos

EUA veem Brasil como parceiro essencial em minerais críticos Os Estados Unidos veem o Brasil como um parceiro essencial em minerais críticos e estudam...