Os feridos de morte pelo tarifaço de Trump

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Em uma jogada inesperada e cálculo duvidoso, Donald Trump conectou suas tarifas à recente trajetória política do Brasil, especialmente à de Jair Bolsonaro e dos seus aliados que tentaram um golpe em 2022. Ao pressionar o Supremo Tribunal Federal, Trump pareceu acreditar que suas ações trariam sorte aos envolvidos, em uma estratégia duvidosa. A ironia é palpável, e poucos podem ver a sagacidade nesse movimento. 

Com essa vinculação, a Procuradoria-Geral da República pediu a condenação dos réus do núcleo duro do golpe, incluindo Bolsonaro e generais. A palavra final está prestes a ser dita pelos ministros da Primeira Turma do STF. A composição da turma é favorável a um veredicto severo, especialmente com quatro dos cinco ministros já inclinados à condenação. Para Bolsonaro, é hora de se preparar para a realidade, que deverá se concretizar nos próximos meses.

Entretanto, dois figurantes proeminentes também podem ser gravemente afetados: Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo, e Eduardo Bolsonaro. Tarcísio, que chegou ao cargo sob a asa de Bolsonaro, não tinha planos políticos até ser “convocado” para a disputa. Sua trajetória política, portanto, é uma construção apressada e mais dependente de lealdades do que de verdadeira ambição ou capacidade. A lealdade, que molda o mundo militar em que Tarcísio se destacou, pode não ter o mesmo peso na arena política.

A tentativa de alinhar sua candidatura à presidência com o apoio de Bolsonaro reflete mais um compromisso do que uma astúcia política. Sua recente associação ao discurso de Trump, que insinuou uma “caça às bruxas”, trouxe descontentamento. Adicionalmente, Tarcísio tentou estabelecer um diálogo com a embaixada dos EUA, numa estratégia que pareceu ingênua, comprometendo ainda mais sua imagem.

Os bolsonaristas agora veem Tarcísio como um traidor, uma grave ofensa dentro de seu círculo. Enquanto isso, a elite financeira de São Paulo, notoriamente representada pela Faria Lima, se distanciou dele. O Centrão também busca novos nomes para desafiar Lula em 2026, deixando Tarcísio em uma posição vulnerável. Ao ser associado ao tarifaço de Trump, sua popularidade pode ruir, tornando sua eventual candidatura uma realização cada vez mais distante.

Eduardo, por sua vez, parece ter perdido qualquer chance de relevância política. Tarcísio pode ainda sonhar com a ressurreição de sua carreira, mas os ventos que sopram são desfavoráveis e as dúvidas pairam no ar.

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