Pen drive de Bolsonaro armazenava documentos de empresa de aliado

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Um pen drive encontrado pela Polícia Federal (PF) no banheiro do quarto do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) armazenava documentos de uma empresa de um amigo pessoal dele. O dispositivo foi apreendido no dia 18 de julho durante uma operação na casa de Bolsonaro e passou por perícia, onde foram encontrados muitos arquivos, a maioria imagens, que haviam sido apagados e não puderam ser recuperados.

O conteúdo do pen drive foi considerado irrelevante para a investigação e, por isso, não foi incluído no relatório de indiciamento de Bolsonaro e seu filho, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Entre os arquivos, estavam catálogos da Medicalfix, uma empresa de Santa Rita do Passa Quatro (SP) que fabrica e comercializa equipamentos médicos e odontológicos.

Os materiais incluíam catálogos de brocas cirúrgicas, sistemas de fechamento de crânio e fixação rígida, entre outros.

Um dos documentos encontrados foi um certificado de boas práticas de fabricação, emitido pelo Ministério da Saúde e pela Anvisa, que confirmava que a empresa seguia a legislação sanitária. A Medicalfix é liderada pelo dentista Mário Roberto Perussi, que teve um encontro com Bolsonaro e Eduardo em 22 de agosto do ano passado, onde discutiram a importação de máquinas para o setor.

Perussi comentou em suas redes sociais sobre o encontro, mencionando estratégias para aumentar a competitividade das empresas brasileiras diante da concorrência estrangeira.

Hipótese da investigação

Investigadores apontam que os arquivos foram gravados no pen drive um dia antes do encontro, levantando a possibilidade de que Perussi tenha entregado o dispositivo a Bolsonaro na ocasião. A PF não encontrou registros de contratos da empresa com o governo federal ou estadual, mas observou que a Medicalfix tinha contratos com a prefeitura local entre 2019 e 2025. Como o material não se enquadra no escopo do inquérito, o pen drive permanece apreendido.

Anotações no porta-luvas

Durante a mesma operação, a PF descobriu anotações manuscritas no porta-luvas de um dos carros de Bolsonaro, relacionadas à delação premiada de Mauro Cid, seu ex-ajudante de ordens. Os registros, que não foram incluídos no inquérito por não fazerem parte da investigação, parecem documentar estratégias de defesa e eventos ocorridos durante o interrogatório de Cid no STF.

Entre as anotações, Bolsonaro fez referências a grupos e reuniões, além de mencionar valores e eventuais pressões relacionadas à assinatura de decretos. Ele também anotações sobre sua presença na presidência e um plano de fuga em caso de crises, revelando preocupações sobre a situação política do país.

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