Epidemia silenciosa: em Salvador, mais de 35% das crianças e jovens estão com excesso de peso

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A obesidade infantil se tornou um verdadeiro desafio em Salvador, onde 35,8% das crianças e jovens entre 0 e 19 anos estão acima do peso. Esse índice é superior à média nacional, que é de 32,8%. O cenário é alarmante e reflete uma epidemia global que liga hábitos alimentares a estilos de vida sedentários.

O Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan) aponta fatores que contribuem para essa realidade, destacando a importância da prevenção e do cuidado precoce. Especialistas ressaltam a influência de fatores genéticos, ambientais e comportamentais, sendo a alimentação rica em açúcar e gordura um dos principais pontos de preocupação. Para a nutricionista pediátrica Kelley Adriana Gonçalves, é fundamental que os pais criem um ambiente saudável, evitando a oferta de alimentos ultraprocessados.

No Hospital da Obesidade (HDO), onde Kelley atua, o número de jovens com sobrepeso tem crescido. “O tratamento precisa incluir a família e respeitar as individualidades de cada criança”, afirma. O relato de Gabriela Mendes, mãe de Arthur Dias, ilustra o impacto dessa condição. Arthur, que começou a apresentar sobrepeso, buscou ajuda após comentários de colegas e desenvolveu problemas de saúde que exigiram tratamento especializado.

Estudos mostram que, além do sobrepeso, crianças podem enfrentar doenças como diabetes tipo 2 e problemas ortopédicos. O estresse também desempenha um papel negativo, conforme destaca a psicóloga Edilma Silva, apontando que situações familiares e sociais podem levar as crianças a recorrer à comida como consolo.

Um olhar sobre hábitos saudáveis

Exemplos de crianças como Melinda, que participa de atividades físicas desde cedo, mostram como a prevenção pode ter um impacto positivo na saúde. Com apenas 4 anos, ela é incentivada pela mãe a praticar natação e outras atividades, reduzindo o tempo em frente às telas.

A professora de educação física Dalila Bastos destaca a importância da atividade física na formação de bons hábitos. “É preciso começar cedo, pois a obesidade não é um problema que se resolve somente na adolescência”, alerta.

Impactos psicológicos da obesidade

Além dos riscos físicos, a obesidade infantil pode desencadear sérios problemas psicológicos. O bullying e a exclusão social são consequências frequentemente relatadas, criando um ciclo que pode levar a transtornos mentais. Edilma reforça que a maneira como os pais abordam a alimentação pode moldar a autoestima e os hábitos dos filhos.

Para prevenir essa situação, é crucial adotar uma abordagem saudável em relação à comida, evitando rótulos e punições. Mostrar aos filhos que o valor vai além da aparência e incentivá-los a valorizar a saúde é um passo importante nesta jornada.

A situação em Salvador é um convite à reflexão e à ação. O que você acha sobre a obesidade infantil na sua região? Vamos conversar sobre isso nos comentários!

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