Comissão aponta maus-tratos em filial de clínica que pegou fogo no DF

Publicado:

compartilhe esse conteúdo

Na manhã desta terça-feira, 16 de setembro, a Comissão de Direitos Humanos (CDH) da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) visitou uma unidade do Instituto Terapêutico Liberte-se. A visita ocorre após um trágico incêndio na clínica, ocorrido no dia 31 de agosto, que resultou na morte de cinco pacientes.

A equipe da CDH, que se dirigiu à unidade do Lago Oeste, recebeu relatos alarmantes de internos. Os pacientes mencionaram práticas de trabalho forçado não remunerado, tortura e diversas violações de direitos humanos. Além disso, descreveram punições severas para aqueles que não participam de cultos diários, incluindo trabalhos pesados e medicações administradas de forma inadequada.

Os internos também relataram que a medicação é receitada pelos próprios monitores, que muitas vezes não possuem formação adequada. A necessidade de consultas, que custam cerca de R$ 300, é um grande peso financeiro, especialmente considerando que o atendimento se dá, predominantemente, por telefone.

Outro ponto alarmante é a cobrança de taxas para deslocamento, que variam entre R$ 150 e R$ 200. As famílias já pagam mensalidades que giram entre R$ 1.600 e R$ 1.800, sem contar os custos adicionais. Além disso, a alimentação oferecida aos internos é considerada inadequada pela falta de variedade nutricional e, frequentemente, é servida sem carnes ou legumes.

Superlotação

A unidade do Lago Oeste, que deveria acomodar até 80 pessoas, abriga atualmente mais de 100 homens, segundo os relatos. Essa informação contrasta com o que foi declarado pela administração do instituto, que afirma ter apenas 72 internos.

A visita da CDH foi conduzida pelo deputado distrital Fábio Felix, acompanhado por representantes de várias defensorias e instituições de direitos humanos. O intuito foi compreender melhor a situação apresentada pelos internos e avaliar as condições do local.


Relembre o caso

  • Na madrugada de 31 de agosto, a unidade do Instituto Liberte-se localizada no Núcleo Rural Boqueirã pegou fogo.
  • Cinco pessoas morreram e 12 ficaram feridas no incidente. Os falecidos foram identificados como Darley Fernandes de Carvalho, José Augusto, Lindemberg Nunes Pinho, Daniel Antunes e João Pedro Santos.
  • A unidade estava funcionando sem alvará, conforme informações da Secretaria DF Legal.
  • O proprietário do instituto, Douglas Costa Ramos, confirmou que a única entrada e saída da clínica estava trancada com cadeado devido a furtos anteriores.
  • Além disso, Douglas admitiu que não possuía as licenças necessárias para operar a unidade do Boqueirã.

saiba cinco mortos incendio clinica

O Metrópoles tentou entrar em contato com o Instituto novamente, buscando ouvir a entidade sobre os apontamentos feitos pela Comissão de Direitos Humanos. Até o fechamento desta reportagem, não houve retorno. O espaço continua aberto para esclarecimentos.

Compartilhe esse artigo:

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

ARTIGOS RELACIONADOS

Renan Santos comemora aprovação, pela CCJ, de proposta do Missão que limita alíquota máxima do IPVA a 1%

Renan Santos, candidato a presidente pelo partido Missão, celebrou na CCJ a admissibilidade da PEC 3/2026, que fixa o IPVA em até 1%...

Eleições: após veto de Lula, secretário do PT defende uso ético da IA

Resumo: O secretário de Comunicação do PT, Eden Valadares, defende o uso ético da Inteligência Artificial nas eleições, destacando seu potencial para aperfeiçoar...

Presidente do Instituto Rio Metrópole é preso por suspeita de corrupção

Ministério Público do Rio de Janeiro prendeu Davi Perini Vermelho, conhecido como "Didê", em uma operação que desmantela um esquema de corrupção ligado...