Tarcísio diz que PEC da Segurança “é uma grande encenação”

Durante sua participação no Flow Podcast na noite de quinta-feira (6), o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), não hesitou em criticar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança, chamando-a de “grande encenação”. Enviada pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao Congresso em abril, a PEC visa promover maior colaboração entre União e estados na área da segurança pública, sendo particularmente relevante após a recente operação no Rio de Janeiro que resultou em 121 mortes.

Ao lado de Guilherme Derrite, secretário de Segurança Pública e atualmente licenciado para atuar como deputado federal, Tarcísio expressou suas preocupações sobre o projeto de lei (PL) 1.283/2025, que propõe equiparar facções criminosas a grupos terroristas.

PEC da Segurança em debate

A PEC estabelece que é responsabilidade do governo federal legislar sobre segurança pública e coordenar o sistema de segurança. Essa proposta tem gerado tensões entre governo e oposição. O relator da proposta, deputado federal Mendonça Filho (União-PE), já adiantou que vê dificuldades na tramitação da PEC e é a favor da integração das forças de segurança, mas sem um comando único.

Derrite, no programa, destacou que a PEC não traz inovações efetivas. “A minha principal crítica é que o texto inclui muitas iniciativas que já existem, mas não funcionam por falta de liderança”, afirmou. Tarcísio complementou que não há necessidade de uma PEC para implementar as mudanças desejadas, já que muitas ações são viáveis sem ela.

O governador também assinalou que o governo federal tem enfrentado dificuldades na abordagem da segurança pública. “A PEC surge como uma tentativa de preencher uma falta de agenda”, avaliou, acrescentando que os desafios são estruturais e exigem colaboração efetiva.

Ele criticou a visão do governo federal sobre a situação: “Eles se julgam onipotentes e onipresentes”. Tarcísio manifestou sua insatisfação com a abordagem atual da política de segurança, chamando a PEC de uma “encenação” ineficaz.

Planos futuros

Ao abordar o futuro político, Tarcísio não demonstrou preocupação em se candidatar à presidência nas eleições de 2026. “Não perco muito tempo pensando sobre isso. Acredito que um bom projeto é mais importante que a figura do protagonista”, declarou.

Sobre seu potencial papel na direita após o governo de Jair Bolsonaro, ele comentou que a união nesse espaço é inevitável e competitiva. Tarcísio também criticou o atual presidente, afirmando a necessidade de romper com o que chamou de “desgoverno”. Segundo ele, mesmo que Lula seja reeleito, as questões enfrentadas pelo país até 2027 serão inegáveis.

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