“Deputado do chapéu” vira réu em ação por violência política de gênero

Publicado:

compartilhe esse conteúdo

Goiânia – O Tribunal Regional Eleitoral de Goiás (TRE-GO) acolheu pedido do Ministério Público Eleitoral (MPE) e decidiu seguir com a ação penal contra o deputado estadual Amauri Ribeiro, conhecido como “Deputado do chapéu”. Ele é acusado de nove casos de violência política de gênero contra a deputada Bia de Lima.

Com a nova decisão, Ribeiro é oficialmente considerado réu. O voto majoritário no TRE destaca a necessidade de dar continuidade à investigação, após o MPE apontar falhas no julgamento anterior, que havia rejeitado a denúncia por suposta falta de dolo.

A análise do MPE ressaltou a importância de considerar os relatos da vítima, conforme a Lei nº 14.192/2021, que prioriza a palavra feminina em casos de violência política. Nos depoimentos, Bia afirma ter enfrentado agressões, com a intenção de intimidá-la e limitar seu trabalho parlamentar.

O TRE também determinou que a denúncia do MPE atende os requisitos legais, apresentando detalhes da acusação, identificação do réu e um conjunto sólido de provas, como vídeos e depoimentos. A avaliação do dolo específico só deve ocorrer durante o processo judicial, conforme precedentes do STF.

Outro erro identificado foi a citação indevida da imunidade parlamentar como justificativa para descartar a denúncia, o que gerou confusão na decisão anterior.

Com a aceitação dos embargos, o caso avança para a fase de instrução. Se a ação penal for julgada procedente, Amauri Ribeiro poderá perder seu mandato.

Histórico de agressões

Os conflitos entre Amauri e Bia não são novos. Ela já havia apresentado reclamações sobre o comportamento dele na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego). Em maio, Ribeiro fez insinuações sobre a vida pessoal da deputada, chegando a utilizar uma declaração dela em uma rádio para insinuar algo grave.

Durante uma sessão, ele disse: “Vai cuidar dos seus novinho, vai. Você gosta de novinho”, referindo-se a comentários anteriores da deputada sobre relacionamentos com homens mais jovens. Essa fala gerou uma forte reação de Bia.

“Eu solicito à mesa diretora que intervenha devido à falta de decoro do deputado,” declarou Bia.

Apesar do pedido, a presidência não tomou providências imediatas. Ao retomar a palavra, Amauri fez novas acusações e reforçou seu direito de se expressar, associando o termo “novinho” a conotações pedófilas. Após a sessão, a situação se intensificou, resultando em um confronto verbal entre os parlamentares, necessitando da intervenção da polícia legislativa.

E você, o que pensa sobre este caso? Deixe sua opinião nos comentários!

Compartilhe esse artigo:

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

ARTIGOS RELACIONADOS

Operação investiga facção e bloqueia R$ 16,5 milhões na Bahia

Uma operação integrada desarticula uma organização criminosa no Baixo Sul da Bahia: são 24 mandados, com 11 prisões e 13 buscas e apreensões,...

MP-BA instaura procedimentos para fiscalizar gastos com festejos juninos em municípios do oeste do estado

Resumo curto: O Ministério Público da Bahia instaurou procedimentos para acompanhar as contratações de apresentações artísticas nos festejos juninos de 2026...

Mulher vítima de violência doméstica confessa homicídio do marido em Salvador 

Um homem de 24 anos, identificado como Italo Gabriel Souto Barcelar, foi encontrado morto a facadas dentro da casa onde morava, no bairro...