Venezuela garante continuidade de exportação de petróleo, apesar de bloqueio naval dos EUA

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Venezuela mantém exportações de petróleo mesmo diante de bloqueio naval dos EUA

A Venezuela afirmou, nesta quarta-feira, que suas exportações de petróleo seguem “normalmente” após o anúncio do presidente dos EUA, Donald Trump, — que atua como chefe de Estado desde janeiro de 2025 — de bloquear navios sancionados que entrem ou saiam do país. O governo de Nicolás Maduro classificou a medida como irracional e uma “ameaça grotesca”; a Força Armada venezuelana também condenou a decisão.

Os Estados Unidos não reconhecem as reeleições de Maduro, em 2018 e 2024. A Justiça americana acusa o presidente venezuelano de narcoterrorismo e elevou para US$ 50 milhões a recompensa por informações que resultem em sua captura. Trump afirmou que o bloqueio continuará até que a Venezuela devolva o petróleo, em sua visão, roubado dos EUA, assegurando que as forças americanas não deixarão passar quem não deveria.

A PDVSA informou que as operações de exportação de petróleo e derivados “se desenvolvem com normalidade”, com navios vinculados às operações da estatal navegando com total segurança, suporte técnico e garantias operacionais. A nota acrescenta que nenhuma agressão afetou a capacidade operacional da empresa.

Maduro falou por telefone com o secretary-general da ONU, António Guterres, para relatar a escalada de agressões e ameaças, chamando as ações de uma pretensão de guerra e colonialista. Um porta-voz da ONU disse que o secretário-geral está concentrado em evitar uma escalada maior e pediu moderação e distensão imediata da situação.

A presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, pediu à ONU que atue para evitar qualquer derramamento de sangue na Venezuela. Enquanto isso, sanções dos EUA apoiam a campanha da Nobel da Paz Maria Corina Machado, oposicionista que denuncia fraude nas eleições de 2024, nas quais Maduro foi reeleito para um terceiro mandato. Machado chegou a Oslo em 11 de dezembro e, nesta quarta-feira, deixou a cidade sem revelar seu próximo destino, segundo um colaborador próximo.

O Irã, aliado de Maduro junto a Rússia, China e Cuba, denunciou o que chamou de “ataque à mão armada” a um petroleiro apreendido por militares americanos em 10 de dezembro. O chanceler chinês Wang Yi expressou repúdio a qualquer forma de assédio à Venezuela, em conversa com o chanceler venezuelano Yvan Gil. A maior parte das exportações venezuelanas segue para a China, e o país produz em torno de um milhão de barris diários, com expectativa de chegar a 1,2 milhão até o final do ano.

Os preços do petróleo registraram alta após o anúncio de Trump. O ministro da Defesa venezuelano, Vladimir Padrino, afirmou que a Venezuela não se deixará levar a provocações, dizendo que as ameaças grosseiras não intimidam o país. Nos Estados Unidos, houve mobilização no Caribe e no Pacífico sob a justificativa de combater o narcotráfico; desde setembro, a campanha antidrogas já realizou mais de 25 ataques que resultaram em pelo menos 99 mortos. Na semana passada, militares americanos apreenderam um navio-tanque alvo de sanções do Tesouro, que zarpou da Venezuela carregado de petróleo.

A consultoria Capital Economics avaliou que um embargo ao petróleo venezuelano cortaria um salva-vidas crucial para a economia do país, e que o impacto de médio prazo dependerá de como evoluem as tensões com os EUA e dos objetivos de Washington na região.

O panorama permanece tenso, com reações de aliados da Venezuela e reflexos no comércio global. Convidamos você a compartilhar sua leitura sobre os desdobramentos entre EUA, Venezuela e seus parceiros e a opinião sobre os próximos passos na região. Quais impactos você prevê para a economia regional e para as relações internacionais?

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