Lula cobra decisão da UE, condena aventuras militares e propõe pacto contra o crime organizado no Mercosul

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Durante a Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul, realizada neste sábado, 20 de dezembro de 2025, em Foz do Iguaçu (PR), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva adotou tom firme ao comentar os impasses com a União Europeia, condenando aventuras militares e pedindo uma decisão efetiva sobre o acordo comercial, ressaltando a necessidade de fortalecer a integração física e política entre os membros.

O foco principal foi a assinatura do acordo de livre comércio Mercosul-UE, que está emperrado há 26 anos. Lula atribuiu o atraso à falta de vontade política europeia, citando protecionismo agrícola como obstáculo, afirmando que sem coragem dos dirigentes não se encerra uma negociação longa.

Apesar do impasse, o presidente recebeu uma carta de líderes europeus sinalizando expectativa de aprovação em janeiro de 2026. Enquanto isso, destacou a estratégia de diversificação de mercados do Mercosul, citando avanços com a EFTA, Índia, Emirados Árabes Unidos e Vietnã, com o comércio externo do bloco já acima de US$ 630 bilhões nos primeiros dez meses de 2025.

No campo geopolítico, Lula fez alertas sobre a Venezuela, descrevendo qualquer intervenção armada como uma “catástrofe humanitária” e destacando a importância de evitar precedentes militares de potências extrarregionais no continente.

Internamente, o presidente ressaltou a resiliência das instituições brasileiras após a tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2023, afirmando que o país “acertou as contas com o passado”. Em relação ao crime transnacional, propôs, em consulta com o Uruguai, a convocação de uma reunião de ministros da Justiça e da Segurança Pública do Consenso de Brasília para desenhar uma estratégia sul-americana de combate ao crime organizado, com foco na asfixia financeira e na cooperação de inteligência.

Na pauta social, o discurso enfatizou o registro da América Latina como a região mais letal para mulheres e sugeriu ao Paraguai, que assume a presidência do bloco, a criação de um pacto do Mercosul para o fim do feminicídio, além de tramitar no Congresso um acordo para estender medidas protetivas entre os países do bloco.

Sobre infraestrutura e energia, Lula apontou o potencial regional para liderar a produção de SAF (Combustível Sustentável de Aviação) e a exploração de minerais estratégicos, reforçando o compromisso com o programa Rotas da Integração Sul-Americana e a renovação do FOCEM II para reduzir assimetrias econômicas.

Ao encerrar, o presidente lembrou os 50 anos da Operação Condor como marco histórico, defendendo que regimes democráticos atuem juntos para promover uma vida melhor para todos na região.

E você, qual é a sua leitura sobre o papel do Mercosul na estabilidade regional e na relação com a UE? Deixe seu comentário e compartilhe suas perspectivas.

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