Suspeitos de matar ex-diretor de empresa a mando do PCC se tornam réus

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O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) aceitou a denúncia do Ministério Público paulista (MPSP) e tornou réus dois acusados pela morte do ex-diretor financeiro da Transunição, empresa de ônibus que atua na zona leste da capital. A investigação aponta que a ordem de execução teria partido do Primeiro Comando da Capital (PCC).

Adauto Soares Jorge, 52 anos, foi morto a tiros em março de 2020, no estacionamento de uma padaria no bairro Lajeado. A execução foi flagrada por câmeras de segurança, o que ajudou a identificar os envolvidos.

Os acusados são Jair Ramos Freitas, 53, conhecido como Cachorrão, e Devanil Souza Nascimento, 49, o Sapo. A denúncia aponta Cachorrão como executor dos disparos e Sapo como motorista da emboscada e responsável pelo monitoramento logístico do crime.

Segundo o DHPP, a motivação envolveu desvio de recursos da Transunição. Adauto teria desviado uma quantia considerável e não repassado parte ao PCC, o que, segundo a investigação, provocou a reação violenta da facção.

Cachorrão chegou a ser preso em uma operação do Deic, em 2022, mas foi posto em liberdade um mês depois. Na denúncia, o MPSP pediu a prisão preventiva dos dois, mas o juiz Gustavo Celeste Ormenese, da 1ª Vara do Júri da Capital, negou o pedido. Ambos respondem ao crime em liberdade.

A denúncia também aponta que o PCC se infiltrou na estrutura societária e nas operações da Transunição, usando a empresa para lavar dinheiro obtido com atividades criminosas. A investigação já indicava a participação da firma nesse esquema desde 2020, com mudanças que sinalizavam maior controle pelo crime organizado.

Em março de 2025, a Polícia Federal abriu um inquérito que menciona a relação entre Transunição e Cachorrão. Entre 2020 e 2021, a receita de Freitas teria aumentado 1.149,8%, de pouco mais de R$ 203 mil para cerca de R$ 2,5 milhões, ainda sem comprovação de origem suficiente para as notas fiscais de venda de veículos e itens da empresa. A PF suspeita lavagem de dinheiro pela operação de ônibus.

No mesmo desfecho, o inquérito arquivou as linhas de investigação sobre dois ex-presidentes e um ex-supervisor da Transunição: Lourival França Monário, Leonel Moreira Martins e Senival Moura, este último vereador de São Paulo pelo PT e fundador da Transunição. Senival deixou a empresa em fevereiro de 2020, antes da morte de Adauto.

Depoimentos colhidos em 2024, segundo o Metrópoles, apontam que Senival já teria participação na empresa, mesmo fora do quadro societário. Trocas de e-mails internos também mencionam o vereador e até seus carros, compondo o retrato das relações internas da Transunição.

Uma testemunha protegida afirmou que o PCC passou a dominar os quadros da Transunição em 2020, privilegiando pagamentos a antigos perueiros irregulares e financiando a campanha de Senival com o caixa da empresa, sem repassar parte ao grupo. Em 2020, o PCC teria consolidado o controle, gerando descontentamento de Adauto.

Em 2022, o Deic indicou que Senival foi alvo do PCC e chegou a possuir 13 ônibus da Transunição, ainda que tenha declarado possuir apenas um veículo na campanha de 2020. O diretor Fábio Pinheiro afirmou que a facção expulsou Senival em troca de lealdade com sangue exigida pelo grupo.

O Metrópoles informou que não localizou a defesa dos acusados até o momento, e o espaço para manifestação permanece aberto.

E você, o que pensa sobre a relação entre crime organizado e empresas de transporte? Deixe sua opinião ou comentário sobre o caso nos seus próximos relatos ou dúvidas que tiver.

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