Muçulmanos se opõem a cultos cristãos na Indonésia

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Meta description: Muçulmanos de Bandung protestam contra um culto da GRII no Salão FX Sudirman; autoridades defendem a liberdade de culto e o direito de prática religiosa, enquanto o uso de espaços públicos e a legislação são discutidos no âmbito local e nacional.

Bandung, Java Ocidental, muçulmanos do grupo Ahlus Sunnah Defenders protestaram contra um culto promovido pela Igreja Evangélica Reformada da Indonésia (GRII) no Salão de Baile FX Sudirman, no coração da cidade. A passagem de faixas e de um caminhão com alto-falantes acompanhou a movimentação, em uma demonstração que chamou a atenção local.

Segundo um representante do grupo, o protesto ocorreu porque cristãos liderados por Stephen Tong estavam realizando um culto em homenagem a 2026. Ele afirmou que o objetivo não é impedir a fé cristã, mas contestar o uso de instalações públicas para essa finalidade específica.

A Ahlus Sunnah Defenders alegou que a igreja não possuía autorização para usar o prédio, citando proibições sobre a “divulgação de atividades religiosas que se desviem dos principais ensinamentos do Islã” previstas em decretos conjuntos de 2016 e 2006, referentes à ética na radiodifusão religiosa e à instalação de locais de culto.

Gugun Gumilar, assessor especial do Ministro de Assuntos Religiosos para Harmonia Religiosa, afirmou que o direito dos cidadãos à liberdade de culto deve ser respeitado. O prefeito de Bandung, Muhammad Farhan, reiterou o compromisso da cidade com a igualdade de direitos para todas as tradições religiosas, ressaltando que Bandung é uma localidade aberta à diversidade e que diferenças devem ser resolvidas por diálogo.

A defesa dos direitos humanos Movimento Indonês para Todos (PIS) afirmou que nenhuma decisão judicial declarou ilegal o serviço. Em defesa, o PIS ressaltou que julgamentos devem ficar a cargo dos tribunais, não de organizações de massa, lembrando que grandes encontros religiosos costumam ser promovidos publicamente. Já Santrawan Totone Paparang, presidente do Instituto de Assistência Jurídica para o Movimento Cristão da Grande Indonésia (Gekira), disse que o Salão de Baile Sudirman é um espaço alugado, não público, e que a liberdade de culto está prevista na Constituição de 1945, com o novo código penal (KUHP) a criminalizar atos de perturbação ou obstrução do culto.

No debate em torno do papel do Estado, especialistas apontam que, nos últimos anos, a Indonésia tem adotado um caráter mais conservador, o que coloca igrejas envolvidas em atividades evangélicas sob maior escrutínio. A Portas Abertas observa esse cenário de riscos para comunidades religiosas, ainda que não haja proibição legal consolidada sobre grandes eventos religiosos abertos.

As autoridades reiteram que a Constituição de 1945 permanece como referência maior para a proteção da liberdade de culto, com o KUHP prometendo endurecer ações que interfiram ou perturbem cerimônias religiosas, eliminando justificativas baseadas em pressões ou interpretações administrativas.

Como fica a situação prática da cidade de Bandung? A discussão segue aberta, com a administração municipal defendendo a convivência pacífica entre tradições religiosas e a garantia de espaço para manifestações religiosas dentro da lei. O tema levanta questões sobre o equilíbrio entre liberdade de culto, uso de espaços públicos e regulamentos locais, que devem ser resolvidos com diálogo e bens públicos preservados.

E você, o que pensa sobre o equilíbrio entre liberdade religiosa e uso de espaços públicos em cidades abertas à diversidade? Compartilhe sua opinião nos comentários e participe da discussão.

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