O exército sírio assumiu o controle de grandes áreas no norte do país neste sábado (17/1), desalojando as Forças Democráticas Sírias (FDS), lideradas pelos curdos, de territórios onde exerciam autonomia há mais de uma década. O avanço ocorreu um dia depois de Ahmed al-Sharaa decretar o curdo como língua nacional, concedendo cidadania a muitos curdos que estavam privados dela.
Entre os novos redutos, o governo avançou ao leste de Aleppo e tomou áreas como Maskana e Deir Hafer, além de uma base aérea em Jarrah. Também houve captura de um aeroporto militar em Tabqa e de dois campos de petróleo. Damasco informou quatro soldados mortos; as FDS relataram baixas, com tiroteios em pontos estratégicos ao longo do Eufrates e acusações de violações de acordos de retirada.
As FDS retiraram-se de vilarejos ocidentais ao redor do Eufrates, mas afirmaram que o governo violou o acordo ao avançar ainda mais para leste, perto de cidades e de campos de petróleo que não faziam parte do pacto. Mazloum Abdi, chefe das FDS, disse que o governo “violou os acordos recentes e traiu nossas forças”.
As FDS controlam áreas do norte e nordeste ricas em petróleo, tendo sido o principal parceiro dos EUA na luta contra o Estado Islâmico. Hoje, Washington também apoia as novas autoridades da Síria. O Comando Central dos EUA pediu que as forças do governo cessem qualquer ofensiva entre Aleppo e al-Tabqa, e França e o presidente do Curdistão iraquiano, Nechirvan Barzani, pediram cessar-fogo.
O decreto presidencial reconheceu formalmente os direitos curdos pela primeira vez desde a independência da Síria em 1946. O texto declara o curdo como língua nacional e concede cidadania aos curdos, muitos dos quais estavam privados dela desde o censo de 1962. A administração curda do nordeste afirmou que o decreto é “um primeiro passo” mas não satisfaz as aspirações de autogoverno.
Analistas citados pela AFP destacam que, embora o decreto traga concessões culturais, ele não atende plenamente às demandas de autogoverno do nordeste e parece consolidar o domínio militar. Um deles, Nanar Hawach, analista sênior da Síria no International Crisis Group, disse que o decreto “oferece concessões culturais enquanto consolida o controle militar.” Outra leitura aponta que Damasco busca criar uma divisão entre civis curdos e as forças que os governam há anos.
Grupos curdos ainda controlam áreas no leste do país, onde ficam alguns dos maiores campos de petróleo e gás. Episódios de violência sectária no ano passado aumentaram as preocupações entre diferentes comunidades. A conjuntura atual ressalta a fragilidade de uma Síria multicomunitária diante de interesses regionais e de alianças internacionais.
E você, como vê o equilíbrio entre reconhecimento de direitos e poder militar em uma Síria ainda marcada pela guerra? Compartilhe suas perspectivas nos comentários e participe da discussão sobre o futuro da região.

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