Dengue no Brasil em 2026: cenários, vacinas e estratégias de proteção
Apesar de avanços em prevenção, o Brasil deve manter números expressivos de dengue nas próximas décadas. O infectologista Julio Croda, pesquisador da Fiocruz e da UFMS, afirma que a doença continuará sendo uma ameaça mesmo com vacinas, novas tecnologias e ações de controle.
A projeção da Fiocruz sugere cerca de 1,8 milhão de casos para 2026, com a região Sudeste — especialmente São Paulo e Minas Gerais — entre as mais impactadas. Também aparecem estimativas para Santa Catarina, Distrito Federal, Mato Grosso do Sul e Tocantins.
“A gente vai ter, nos próximos dez, 20 anos, muitos casos de dengue. Eventualmente eles podem ter um impacto menor, à medida que aumentemos a cobertura dessas novas tecnologias de prevenção, mas não devemos observá-lo no curto e médio prazo”, afirma Croda.
Para Croda, o cenário não é de eliminação, mas de controle da epidemia. O momento é de esperança, ainda mais com pessoas suscetíveis — que não puderam tomar a vacina ou vivem em locais com controles menos eficazes — mantendo o risco por algum tempo.
Ele compara a situação com a febre amarela, cuja vacina é altamente eficaz e de proteção duradoura. No entanto, não temos ainda dados de longo prazo sobre as vacinas da dengue em relação à eficácia a longo prazo, o que exige cobertura elevada — estimada em 80% a 90% da população para cenários próximos ao controle total.
As vacinas da dengue
Atualmente, o Brasil conta com duas vacinas contra a dengue. A Qdenga, da Takeda, lançada há dois anos, é destinada a crianças e adolescentes. Recentemente, o país também começou a aplicar uma imunização desenvolvida pelo Instituto Butantan, com uso voltado a diferentes faixas etárias.
Ambas as vacinas possuem doses ainda restritas, o que limita o impacto imediato na transmissão em escala nacional. Um acordo entre Fiocruz e Takeda para ampliar a produção local não avançou devido a divergências sobre compartilhamento tecnológico.
“Seria muito salutar que mais empresas públicas pudessem produzir a vacina da dengue, aumentando o número de doses. Mas não há concorrência; as vacinas são complementares, com Takeda para crianças e adolescentes e Butantan para adultos”, defende Croda.
Outras estratégias de proteção
Além da vacinação, cresce a difusão de mosquitos com a bactéria Wolbachia, que reduz a reprodução do mosquito. Em várias cidades, eles são soltos e o monitoramento ocorre por armadilhas que medem a porcentagem de insetos portando a bactéria. A expectativa é chegar a 60% a 80% de mosquitos infectados em regiões específicas.
Apesar do potencial, a eficácia depende do tempo necessário para que os mosquitos se multipliquem. Enquanto isso, as medidas tradicionais seguem necessárias: evitar água parada, eliminar criadouros em áreas domésticas, usar repelentes e vestir roupas que protejam a pele.
Casos esperados de dengue para 2026 — A previsão da Fiocruz aponta aproximadamente 1,8 milhão de diagnósticos, com 2024 registrando mais de 6,5 milhões de pessoas atingidas e 2025 projetando cerca de 1,6 milhão.
O que explica o boom de casos? O aumento está ligado a fatores climáticos globais e locais. O avanço da temperatura favorece a reprodução do Aedes e a circulação do vírus em áreas antes menos atingidas. Em 2024, o El Niño contribuiu para ampliar áreas de risco e expor populações sem histórico de contato com o vírus.
Em regiões onde o mosquito não circulava com intensidade, parte da população não desenvolveu imunidade, deixando a transmissão mais contínua com a circulação de diferentes sorotipos. Nos últimos anos, predominaram os sorotipos 1 e 2, mas em 2024 houve aumento do sorotipo 3, elevando o risco de novos surtos, especialmente no Sudeste e no Centro-Oeste.










Para acompanhar melhor essas informações, a matéria relembra também que, no Brasil, a difusão de mosquitos com a bactéria Wolbachia pode reduzir a reprodução do mosquito e levar a quedas futuras na transmissão. Entretanto, é uma estratégia ainda dependente do tempo de implantação e de monitoramento amplo.
A soma de ações — desde vacinação, passando por aedes controlado e intervenções inovadoras como Wolbachia — mostra que o caminho é de continuidade, com metas de curto prazo para reduzir casos graves e de longo prazo para diminuir a circulação do vírus e a necessidade de hospitalizações.
E você, o que pensa sobre as estratégias de combate à dengue no Brasil? Quais experiências você já viveu ou observou em sua cidade? Compartilhe nos comentários sua opinião e dúvidas sobre vacinas, medidas de proteção e como a comunidade local pode ajudar nessa luta.

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