Fim de uma era: orelhões que marcaram gerações são removidos das ruas. Vídeo

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A Anatel iniciou neste mês a remoção definitiva dos orelhões das ruas do Brasil, com conclusão prevista para 2028. A operação começou oficialmente em janeiro de 2026, após o fim da concessão de atuação dos aparelhos. Em cidades como São Paulo, ainda há exemplares em praças e esquinas, mas a tendência é a eliminação completa nas próximas temporadas.

Para muitos moradores, o orelhão foi ponto de encontro e a única forma de falar com familiares distantes. Em Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo, o motorista de aplicativo Eronildo Almeida, 46 anos, relembra como o aparelho reunia a turma da rua e permitia a comunicação com parentes no interior, com filas grandes e ligações rápidas.

“Eu vim da cidadezinha da Bahia, Conceição do Coité, com 18 anos. A única forma de falar com parentes distantes era o orelhão. Chegávamos em fila, às vezes não funcionava, corríamos ao próximo e a ligação saía em poucos minutos.”

Para os mais jovens, as lembranças são menos vívidas. Lucas, motorista de aplicativo, diz que já usou o orelhão, mas não lembra bem como funcionava — na rua ainda havia um exemplar na frente de um bar, que já foi retirado.

A remoção oficial ganhou força em 2026, após o fim da concessão de atuação dos aparelhos. Mesmo assim, alguns neófitos da cidade persistem: na praça Benedito Calixto, em Pinheiros, dois orelhões continuam marcando presença. Shirley, 58 anos e proprietária de uma pastelaria, afirma que hoje apenas moradores de rua ainda observam os aparelhos antigos.

Dados ajudam a entender o tamanho da mudança: o país chegou a ter cerca de 1,5 milhão de orelhões no auge; hoje, o total fica em torno de 30 mil, sendo quase 5 mil na capital paulista.

Curiosidades sobre os orelhões

  • O design e o nome orelhão são uma customização exclusiva do Brasil. O formato de cabine, similar à parte do corpo humano, foi lançado em 1972, criado pela arquiteta sino-brasileira Chu Ming Silveira.
  • Originalmente, era necessária uma ficha telefônica para usar o orelhão. Ao final de cada ligação, a ficha caía, origem da expressão “caiu a ficha” para situações do dia a dia.
  • Em 2026, o aparelho voltou aos holofotes com o lançamento do filme O Agente Secreto, em que o poster destaca um orelhão amarelo.

Ao final, leitores que viveram esse período podem ter memórias únicas sobre como era movimentar-se entre filas de orelhões, conversar com parentes de longe ou simplesmente observar esses símbolos de uma era que se transforma rapidamente. A mudança, embora necessária para atualizar a infraestrutura, deixa uma imagem marcada nas ruas do país.

E você, lembra de algum orelhão próximo de você ou tem histórias associadas a esse equipamento? Compartilhe nos comentários sua memória e a sua percepção sobre essa transição para a comunicação digital.

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