Lula volta ao Panamá após 15 anos em meio a julgamento da Odebrecht

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Lula volta ao Panamá 15 anos após sua última visita, para participar da segunda edição do Fórum Econômico Internacional América Latina e Caribe, onde é o convidado de honra. A agenda inclui um acordo para impulsionar o comércio bilateral e fortalecer a defesa da soberania do Canal do Panamá, em meio ao julgamento envolvendo a Odebrecht, que começou no dia 12 de janeiro após vários adiamentos desde 2023.

A trajetória de Lula no Panamá tem início em 2007, quando fez sua primeira visita oficial. Em 2011, já como presidente, participou da inauguração da segunda fase da orla da capital, a Cinta Costera, obra da construtora investigada por subornos. A presença do presidente reforça a relação entre Brasil e Panamá e o alinhamento em infraestrutura e cooperação regional.

Analista panamenho Rodrigo Noriega vê a ida de Lula como parte de uma aproximação entre a gestão de José Raúl Mulino e o que ele chama de “apadrinhamento brasileiro” para angariar apoio internacional à soberania do Canal. O Brasil assinou, em agosto do ano passado, o Tratado de Neutralidade do Canal, em meio a tensões entre Panamá e EUA sobre influências externas, com Donald Trump defendendo a ideia de recuperar a via por razões geopolíticas.

A agenda ocorre num momento em que o julgamento da Odebrecht envolve cerca de 20 réus, incluindo o ex-governante Martinelli, atualmente asilado na Colômbia, e vários ex-ministros. Noriega aponta que o fato de Lula viajar pelo mundo e de o Panamá ser o último país a julgar o caso reforça a percepção de impunidade entre a classe política latino-americana. Segundo ele, o governo de Lula tem mantido posição de não colaborar plenamente com a Justiça panamenha em notificações de testemunhas.

Além do questionamento jurídico, a visita marca impulsos a cooperação econômica. Brasil e Panamá devem assinar um “acordo de cooperação e facilitação de investimentos” para estimular fluxos de capitais em ambas as direções. A secretária de América Latina e Caribe do Itamaraty, Gisela Padovan, destacou o dinamismo da relação bilateral, lembrando que Lula e Mulino já se encontraram cinco vezes desde 2024 e que o intercâmbio comercial cresceu 78% no último ano.

Com informações da agência EFE, a viagem de Lula ao Panamá acontece em meio a um cenário de forte cooperação bilateral e de atenção internacional para a posição do Panamá sobre a soberania do Canal. Como leitor, você acha que esse momento fortalece ou complica a relação Brasil-Panamá? Deixe sua opinião nos comentários e participe da conversa sobre o futuro da região.

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