Acidentes fatais com motos aumentaram em 120% após criação da Faixa Azul, diz estudo

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Estudo conjunto de USP, UFC, Instituto Cordial e Vital Strategies aponta que a Faixa Azul, implantada desde 2022 em São Paulo como projeto-piloto, elevou as velocidades médias das motos e, intrigantemente, aumentou o número de sinistros fatais em cruzamentos entre 100% e 120%. A sinalização já soma mais de 200 quilômetros, com expansão prevista para alcançar 400 quilômetros até 2028, em várias vias da cidade.

O levantamento mostra que a velocidade média nas vias sinalizadas subiu de 58,3 km/h para 72,2 km/h após a implantação. Além disso, 96% dos motociclistas trafegam acima de 50 km/h e 81% acima de 60 km/h nesses trechos, números bem superiores aos observados em vias sem intervenção, onde 71% passam de 50 km/h e 35% excedem 60 km/h.

O programa, criado em 2022 na capital paulista, já soma 233,3 quilômetros de sinalização em 46 vias, com estimativa de atender cerca de 500 mil motociclistas por dia. A prefeitura prevê chegar a 400 quilômetros até 2028.

Paralelamente, o Brasil registrou 36.403 mortes em acidentes viários em 2024, o quinto aumento anual desde 2019, segundo o Ministério da Saúde. Desses, 14.994 eram motociclistas. Em São Paulo, foram 1.029 mortes, com 46,74% envolvendo motos.

O coordenador do estudo, Mateus Humberto, da Escola Politécnica da USP, afirma que a Faixa Azul reorganizou o fluxo, mas gerou um efeito colateral grave: o corredor de aceleração leva o motociclista a entrar no cruzamento com mais energia. “Quando o impacto ocorre a 70 ou 80 km/h, os resultados são dramáticos”, disse. Para Ezequiel Dantas, da Vital Strategies, os dados exigem cautela: “Precisamos ser muito cautelosos ao expandir este projeto.”

A Prefeitura de São Paulo afirma que, segundo dados da CET até 2021 e do Detran a partir de 2022, as vias com Faixa Azul mostraram redução nas mortes de motociclistas entre 2022 e dezembro de 2025, caindo de 29 para 22 casos, e quedas nas ocorrências com feridos (de 1.009 para 810) e atropelamentos com feridos (de 61 para 39). A velocidade média nessas vias foi de 49,5 km/h, dentro do limite. Contudo, de 2022 a 2025, as fatalities envolvidas com motos foram 446, 438, 525 e 536, respectivamente, levando autoridades a reforçar sinalização, fiscalização e campanhas educativas.

A gestão municipal aponta ainda que o monitoramento oficial mudou do CET (até 2021) para o Detran (a partir de 2022) e que não há registros oficiais específicos sobre sinistros em cruzamentos. Os números consolidados, no entanto, indicam aumento dos acidentes fatais com motos desde o início da Faixa Azul, o que motiva novas avaliações e ajustes no projeto.

Enquanto a Secretaria Nacional de Trânsito analisa evidências técnicas para decidir se a Faixa Azul será regulamentada nacionalmente, o estudo ressalta a necessidade de medidas de gestão de velocidade e fiscalização como mecanismos geralmente mais eficazes para prevenir mortes. O debate segue aberto entre segurança viária e organização do tráfego.

Qual é a sua visão sobre a Faixa Azul? Você acredita que pode funcionar como ferramenta de organização do tráfego sem aumentar o risco aos motociclistas? Deixe seu comentário e participe da discussão sobre segurança viária na cidade.

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