Vereador é suspeito de usar dinheiro de emenda para reformar pousada

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A cidade de Cuiabá assiste a uma nova frente de investigação envolvendo o vereador Francisco Carlos Amorim Silveira, conhecido como Chico 2000. A Polícia Civil apura suspeitas de desvio de recursos da prefeitura através de emendas parlamentares, com impactos sobre uma pousada de propriedade de familiares do deputado e sobre a relação entre o vereador, empresários e uma assessoria sem fins lucrativos. Ao todo, a Justiça já determinou o bloqueio de bens de cerca de R$ 676 mil e afastou contatos entre os envolvidos até o fim das apurações.

As evidências iniciais indicam conversas entre Chico 2000 e João Nery Chiroli, presidente da empresa Sem Limite Esporte e Eventos e ligado ao instituto sem fins lucrativos Ibrace. Os diálogos apontam para favorecer a instituição Ibrace na escolha de organização de eventos esportivos financiados por emendas da Câmara Municipal. Em uma das tratativas, os investigadores apontam a indicação de depósito na conta de Jovani José de Almeida, responsável por obras na pousada Estância Águas da Chapada, de propriedade do vereador.

Intermediação e valores — o Ibrace atuava como intermediário no repasse de emendas para a Sem Limite Esporte e Eventos, de Joao Chiroli. Em 2025, o instituto foi beneficiado por duas emendas municipais de Cuiabá, no total de R$ 1 milhão, para duas corridas de rua, por meio de termos de fomento firmados com a Secretaria Municipal de Esportes. Também houve transferência de R$ 580 mil e, depois, R$ 387 mil para a empresa de Chiroli, vinculadas às emendas 003/2024 e 002/2024, respectivamente.

Entre 2022 e 2025, o Ibrace recebeu aproximadamente R$ 3,6 milhões em emendas impositivas endereçadas pelo vereador, que presidiu a Câmara Municipal de Cuiabá entre 2023 e 2024. Além disso, a Polícia Civil aponta que, no dia seguinte ao recebimento de valores pela empresa de Chiroli, houve uma transferência via Pix de R$ 20 mil para Jovani, intermediada por Rubens Vuolo Júnior, chefe de gabinete do parlamentar, com a justificativa de retorno do dinheiro público para fins privados.

Implicações criminais — a investigação sustenta que Chico 2000, Chiroli, o Ibrace, a Sem Limite Esporte e Eventos, o pedreiro Jovani José de Almeida e o chefe de gabinete Rubens Vuolo Júnior teriam envolvimento em peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa. A Justiça determinou o bloqueio de bens e a proibição de contato entre os investigados, bem como a proibição de ausentar-se da comarca durante as apurações.

Segundo o relatório da Polícia Civil, as movimentações indicam que o próprio vereador tinha conhecimento das ações de Chiroli, que organizava o evento com alto interesse na parceria com o Ibrace, mantendo Chico 2000 informado sobre cada etapa do processo de organização. Ainda conforme o documento, houve a confirmação de uma transferência para o pedreiro envolvido na pousada logo após o recebimento das verbas pela empresa de Chiroli, reforçando a linha de apuração sobre possível desvio de recursos públicos para fins privados.

Atualização do quadro — a investigação ganhou evidência a partir de desdobramentos da operação Gorjeta, desencadeada em dezembro, com o compartilhamento de informações obtidas pela operação Perfídia, de agosto de 2025, quando o celular do vereador foi apreendido. Os investigadores destacam ainda que o Ibrace atuava como intermediário nas emendas destinadas à Sem Limite Esporte e Eventos, vinculando as transações entre os recursos públicos e as obras particulares ligadas ao vereador.

Crimes identificados

Entre os indiciados estão Chico 2000, João Nery Chiroli, o Ibrace, a Sem Limite Esporte e Eventos Ltda – Chiroli Esportes, o pedreiro Jovani José de Almeida e Rubens Vuolo Júnior. A Justiça também bloqueou bens no montante de R$ 676 mil e proibiu o contato entre eles e com funcionários públicos, além de impedir a saída de Cuiabá até o encerramento das investigações.

As investigações destacam que o modo como as emendas foram tratadas aponta para uma prática de favorecimento de interesses privados por meio de instrumentos oficiais de repasse público, com a participação de indivíduos-chave na gestão de recursos e na coordenação de termos de fomento com órgãos da prefeitura.

O caso continua aberto, com as autoridades avaliando novas evidências e possíveis desdobramentos. A comunidade de Cuiabá e os moradores da cidade acompanham com atenção as decisões judiciais e as respostas das partes envolvidas, que podem incluir novas etapas processuais ou desdobramentos sobre o uso de emendas para fins privados.

Queremos ouvir a sua opinião sobre o tema. Você acredita que mecanismos de fiscalização estão suficientemente fortes para evitar esse tipo de uso de recursos públicos? Deixe seu comentário abaixo com suas considerações e perguntas.

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