AGU sai em defesa da Marinha e classifica Revolta da Chibata como ameaça à ordem pública

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A Advocacia-Geral da União (AGU) defende a Marinha do Brasil após críticas a declarações que atacam a memória de João Cândido, líder da Revolta da Chibata de 1910.

No ofício encaminhado à Justiça Federal, a AGU descreve a revolta como um episódio marcado por mortes, grave insubordinação e ameaça à ordem pública e ao Estado Democrático de Direito.

O documento afirma que a Marinha atuou para preservar os princípios da hierarquia e da disciplina e sustenta que a Força Naval não tem obrigação jurídica de endossar honrarias simbólicas com as quais não concorda.

A manifestação da AGU foi apresentada no dia 3, em resposta a uma ação do Ministério Público Federal (MPF) que pede a condenação da União ao pagamento de R$ 5 milhões por dano moral coletivo.

O ofício é assinado por Cláudio de Castro Panoeiro, advogado da União que comandou a Secretaria Nacional de Justiça durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Em 2024, o comandante da Marinha, almirante Marcos Olsen, afirmou à Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados que a Revolta da Chibata foi um “fato opróbio”, classificando os marinheiros envolvidos como “abjetos” por desrespeitarem a hierarquia e a disciplina.

Foi a segunda tentativa da Marinha de convencer parlamentares a barrar o projeto de lei que propõe a inclusão de João Cândido, conhecido como o Almirante Negro, no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria.

No mesmo ofício, a AGU contestou o pedido para que a Marinha seja proibida de fazer novas manifestações consideradas ofensivas à memória de João Cândido, argumentando que isso configuraria censura institucional e violaria a separação dos Poderes.

A Revolta da Chibata foi um movimento de marinheiros, em sua maioria negros, que reivindicavam o fim das punições físicas na Marinha. O estopim ocorreu após Marcelino Rodrigues Menezes ser amarrado ao mastro do encouraçado Minas Gerais e receber 250 chibatadas diante da tripulação.

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