MPF recorre para manter na Justiça Federal ação contra igreja

Publicado:

compartilhe esse conteúdo

Rovena Rosa/Agência Brasil

Templo de Salomão com pessoas na frente
1 de 1 Templo de Salomão com pessoas na frente – Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

MPF recorre da decisão que transferiu da Justiça Federal a ação civil pública contra a Igreja Universal do Reino de Deus (IURD). A ação, movida após a igreja ajuizar 144 ações indenizatórias idênticas em juizados especiais de todo o país contra o jornalista João Paulo Cuenca. O Ministério Público Federal sustenta que houve uso do sistema judiciário para desgastar a defesa e impor custos, configurando assédio judicial.

A denúncia tem origem em um post de Cuenca em 2020, no qual ele criticou a destinação de verbas públicas para emissoras ligadas a igrejas. Segundo o MPF, a dispersão geográfica para comarcas distantes do seu círculo de atuação visou dificultar a defesa e causar desgaste financeiro e emocional.

O MPF afirma ainda que o modus operandi da IURD contra Cuenca é o mesmo utilizado contra a jornalista Elvira Lobato em 2007, quando ela ficou sujeita a centenas de ações após reportagens sobre a expansão de empresas associadas à instituição.

Leia também

“Mas esta ação não é sobre João Paulo Cuenca, e sim sobre os danos do assédio judicial ao sistema de justiça, à liberdade de expressão e à liberdade de imprensa. A intimidação por meio de processos judiciais representa mais do que o silenciamento de uma pessoa, pois indica uma tentativa de dissuadir o exercício do direito de crítica por meio do uso abusivo do Poder Judiciário”,

A decisão, proferida pelo juiz Eugenio Rosa de Araújo, da 17ª Vara Federal do Rio de Janeiro, apontou que a Justiça Federal não seria competente para julgar o caso; a esfera caberia aos tribunais estaduais. Em recurso, o MPF sustenta que o uso abusivo do sistema judiciário envolve direitos difusos e, por isso, deve tramitar na Justiça federal.

O caso acende o debate sobre os limites da liberdade de imprensa e do direito de criticar, em meio a uma disputa que envolve poder econômico, atuação de uma instituição religiosa e a função do sistema de justiça brasileiro.

Como leitor, quais são suas opiniões sobre esse tema? Compartilhe nos comentários suas impressões sobre a atuação do judiciário em casos envolvendo veículos de imprensa e entidades religiosas.

Compartilhe esse artigo:

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

ARTIGOS RELACIONADOS

Ex-aprendiz diz que nunca sofreu assédio de ministro Buzzi

O ministro afastado do STJ, Marco Buzzi, aparece no centro de denúncias de importunação sexual. A defesa juntou aos autos uma declaração de...

Homem é preso com pistola após tentar fugir de abordagem no Pelourinho

Um homem de 39 anos foi preso no Pelourinho, em Salvador, após ser flagrado com uma pistola Glock calibre .380 durante uma abordagem...

Justiça manda soltar humorista Seu Waldemar após pagamento de pensão

Brasil Humorista Waldemar é solto após quitar dívida de pensão; débito estimado em R$ 60 mil, negociado em R$ 46...