Governo Lula tirou R$ 48,6 bilhões do cálculo da meta fiscal

Publicado:

compartilhe esse conteúdo

O governo federal anunciou, na última quinta-feira (29/1), o cumprimento formal da meta fiscal de 2025, com déficit zero. O resultado foi possível graças à exclusão de 48,7 bilhões de reais em despesas do cálculo do resultado primário, uma prática permitida pelo arcabouço fiscal que reacende o debate sobre a saúde das contas públicas e a transparência do regime fiscal.

Mesmo assim, os dados oficiais mostram que o déficit primário total do governo central em 2025 foi de 61,6 bilhões de reais, equivalente a 0,48% do PIB. Ao excluir as despesas consideradas fora da meta, o déficit apurado para fins da meta ficou em 13 bilhões de reais, ou 0,1% do PIB. A Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) previa uma meta de déficit zero, com uma margem de tolerância de 0,25 ponto percentual do PIB, o que corresponde a cerca de 31 bilhões de reais em 2025.

As exclusões que permitiram ajustar o déficit dentro da meta são permitidas quando os gastos são não estruturais, temporários ou vinculados a decisões judiciais, ou quando há autorização legislativa específica. Entre os itens retirados do cálculo estão: precatórios excedentes (cerca de 41,1 bilhões), ressarcimentos a beneficiários do INSS por descontos indevidos (2,8 bilhões), despesas temporárias em educação e saúde (2,2 bilhões) e gastos com projetos estratégicos de defesa nacional (2,5 bilhões).

O arcabouço fiscal, que substituiu o teto de gastos, inclui regras que ligam o crescimento das despesas à arrecadação e prevê gatilhos automáticos se as metas não são atingidas. No entanto, a prática de excluir itens significativos da base de cálculo tem gerado críticas entre economistas e especialistas, que veem a oportunidade de desalinhar a meta da realidade fiscal. A Instituição Fiscal Independente (IFI) afirma que cumprir as metas de 2024 e 2025 não necessariamente traduz esforço fiscal, já que abatimentos não recorrentes podem consolidar esse desempenho sem reduzir o peso das despesas ao longo do tempo. O head de macroeconomia do ASA, Jeferson Bittencourt, ressalta que a melhoria prometida pela meta depende das exceções, já que parte do ganho aparece justamente por essas laxas margens.

“Se olharmos a melhoria de resultado primário prometida pela meta, seja comparando o centro ou o piso, esta melhora é de 0,25% do PIB para 2026 em relação a 2025. Isso equivale a um resultado primário de R$ 34,3 bilhões melhor de um ano para o outro. Ocorre que, concomitantemente a esta promessa de melhora, há esta autorização para, no mesmo período, uma elevação das exceções à meta.”

Perspectivas para 2026: com a meta de 2025 formalmente cumprida, o desafio é manter um superávit primário de 0,25% do PIB (aproximadamente 34 bilhões de reais), dentro da mesma margem de tolerância de 0,25 ponto percentual e com o piso no déficit zero. Diante disso, analistas esperam que o governo repita o uso de exclusões e manobras fiscais para sustentar a meta, mesmo diante de pressões por gastos públicos, juros da dívida e demandas sociais.

Para viabilizar a meta de 2026, o governo deve abater cerca de 62,5 bilhões de reais dos cálculos, conforme o subsecretário de Planejamento Estratégico da Política Fiscal, David Athayde. Os itens a serem retirados são: precatórios excedentes (57,8 bilhões), despesas temporárias de educação e saúde (2,2 bilhões) e projetos estratégicos de defesa nacional (2,5 bilhões).

Apesar das projeções e estratégias, os economistas alertam para o desafio de longo prazo: crescimento das despesas obrigatórias, juros da dívida e outras demandas sociais continuam pressionando a política fiscal. Entre as ferramentas discutidas está o “empoçamento”, citado pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, como uma opção para manter a linha de metas dentro dos parâmetros legais.

Qual é a sua leitura sobre o uso de exclusões para cumprir metas fiscais? A tendência de depender de abatimentos não recorrentes pode sinalizar menos esforço fiscal real ou apenas uma necessidade de ajuste dentro do arcabouço atual? Deixe sua opinião nos comentários e compartilhe suas ideias sobre o futuro fiscal do Brasil.

Compartilhe esse artigo:

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

ARTIGOS RELACIONADOS

Assessor de vereador do PSOL é exonerado após prisão por estupro

Mirelle Pinheiro A direção municipal do PSol também informou que iniciou os procedimentos para excluir Matheus Rodrigues Gonçalves dos quadros...

Lula enfrenta crise diplomática com aliados de Trump na América Latina

MundoGoverno Lula enfrenta crises diplomáticas com Argentina e Paraguai, dois aliados de Trump na região Resumo: o governo de Luiz Inácio Lula da Silva...

PSD traça estratégia para Caiado após Kassab ser oficializado como vice

Segundo informações divulgadas pelo Metrópoles, parceiro do PrimeiroJornal, o PSD consolidou a chapa puro-sangue para a eleição presidencial, com Ronaldo Caiado (GO) na...