O Oscar 2026 marca uma virada histórica para o terror: monstros e vampiros não são apenas convidados, são protagonistas. Pecadores (Sinners), dirigido por Ryan Coogler e estrelado por Michael B. Jordan, lidera as indicações, enquanto Frankenstein, de Guillermo del Toro, surge como outra força poderosa. Pela primeira vez, o gênero invade a principal categoria e chama a atenção de toda a indústria.
O chamado terror elevado, moda dos últimos anos, perde fôlego. Pecadores empunha o vampiro como símbolo de uma nova estética e mostra que o horror pode ser cinema de grande público, sem abrir mão da densidade. A Academia, com um expressivo número de indicações, reforça que o gênero pode premiar obras sérias e populares ao mesmo tempo.
Gótico, prático e artesanal é o que define a outra ponta dessa virada. Frankenstein, de Guillermo del Toro, eleva o artesanato cinematográfico com maquiagem, design de produção e trilha sonora, mantendo-se como forte concorrente na categoria de Melhor Filme. Enquanto Coogler aponta para o horror como drama visceral, Del Toro transforma o monstro em poesia visual, reafirmando o respeito técnico pela obra.
Além dos dois gigantes, a lista reserva outras sombras inquietas. Bugonia, de Yorgos Lanthimos, mistura ficção científica paranoica com horror psicológico, indicando que o estranho virou novo normal. Weapons, de Zach Cregger, conquista espaço pelas atuações em um terror puro, um feito incomum nesse subgênero. E, nota rápida de contexto, A Noiva! teve estreia movida para março de 2026.
Por que essa virada agora? A resposta está na demografia. A diversidade entre os votantes da Academia, iniciada após 2016, trouxe uma geração que cresceu admirando John Carpenter e Wes Craven, não apenas John Ford. Esses novos membros entendem que o horror captura a ansiedade do zeitgeist. Em 1992, O Silêncio dos Inocentes venceu; em 2018, Corra! ganhou Roteiro Original; em 2026 a barreira caiu: não há mais distinção entre cinema de Oscar e terror, há apenas cinema.
Se Pecadores ou Frankenstein vão levar a estatueta principal ainda é uma incógnita, mas a vitória do terror já aconteceu. O monstro saiu de baixo da cama e subiu ao palco, provando que o medo pode estar no centro do cinema popular. E você, o que acha dessa virada? Comente abaixo e participe da conversa.

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