Chegada de professor que matou ex a tiros cria tensão em escola do DF

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Professores da rede pública no Distrito Federal vivem um clima de insegurança e indignação desde que Igor Azevedo Bomfim, condenado pela morte da ex-namorada, foi contratado como professor substituto na Escola Centro de Ensino Fundamental 03 (CEF 03) da Cidade Estrutural. O caso acende o debate sobre admissões na educação pública e expõe a tensão entre cumprir a legislação e assegurar a segurança de alunos e funcionários.

O professor foi aprovado em um processo seletivo recente para a função de substituto temporário da Secretaria de Educação do DF e começou a lecionar no início deste ano. A contratação ocorreu após um histórico criminal que inclui condenação pela morte de Mayara de Souza Lisboa, em 2010, em Santa Rita de Cássia (BA).

Histórico do caso em síntese: em 2 de novembro de 2010, Igor invadiu a casa da então namorada e a matou. Na época, ele tinha 31 anos e Mayara, 22; o relacionamento durou 1 ano e 8 meses. Registros indicam ciúmes agressivos e monitoramento da vítima. Igor confessou o crime após se entregar à polícia 12 dias depois, alegando ter agido em “defesa da honra”.

O processo teve oscilações judiciais: em 2013 foi absolvido pelo Tribunal do Júri, e o casal se mudou para Brasília após a absolvição. Em 2019, uma nova decisão o condenou a 10 anos, 10 meses e 18 dias de prisão. Ele recorreu e permaneceu em liberdade até novembro de 2024, quando o caso transitou em julgado e ele foi preso no Guará (DF). Dias depois, o STF anulou o trânsito em julgado, e o TJ da Bahia determinou a soltura. O processo retornou ao STJ e permanece sem desfechos relevantes até o momento.

Igor Azevedo Bomfim é acusado de matar a ex-namorada Mayara Lisboa em 2010

Igor Azevedo Bomfim, acusado de matar a ex-namorada (imagem de arquivo)

Mayara Lisboa

Mayara Lisboa, vítima do crime

Mayara de Souza Lisboa

Mayara de Souza Lisboa (arquivo pessoal)

Igor Azevedo Bomfim é acusado de matar a ex-namorada

Igor após a absolvição

Protesto Mayara

Manifestação por justiça após o crime

Protesto Mayara 3

Parentes e amigos cobram justiça

Chegada do professor

Chegada de Igor à escola gera tensão

Protesto Mayara 1

Reação da comunidade escolar

Pavor e pânico A tensão dentro do CEF 03 é bem perceptível. Uma professora relata ao Metrópoles que vive com muito medo de conviver com o “assassino confesso” na instituição. Ela descreve um sentimento de desamparo que se espalha entre as docentes, com até 12 professoras no turno da tarde.

“Tenho medo de ter que ficar com ele aqui o ano todo e tratar de assuntos sensíveis com ele.”

Ainda neste mês de março, o CEF 03 anunciará a Semana Escolar de Combate ao Machismo e Violência Contra a Mulher. A professora comenta que não sabe o que esperar da presença de Igor quando o tema for trabalhado, dada a gravidade do crime.

A mulher também critica a falta de escolhas mais criteriosas na contratação de profissionais para a rede pública, destacando os riscos para crianças, adolescentes, pais e docentes.

O que diz a Educação

A Secretaria de Educação do Distrito Federal (SEEDF) afirmou, em nota, que está conduzindo o caso com discrição. A Corregedoria da SEEDF disse que adotará as providências pertinentes por meio de processo sigiloso. A pasta não informou se possuía conhecimento do processo judicial no ato da admissão do docente.

O que diz o acusado

A defesa de Igor Azevedo Bomfim comunicou que aguarda decisão do STJ sobre a acusação relacionada à morte da ex-namorada. A defesa ressaltou que, conforme a Constituição Federal, qualquer pessoa é presumidamente inocente até o trânsito em julgado de condenação.

O espaço educativo e as respostas da comunidade O caso retorna à discussão pública sobre como selecionar profissionais para a rede pública e como equilibrar garantias legais com a segurança de estudantes e equipes. A reportagem ressalta a importância de avaliação criteriosa de admissões, especialmente quando envolvem casos criminais de alta repercussão.

Para fechar, o texto reforça que as informações oficiais sobre o andamento processual permanecem em sigilo ou em trâmite, e que as autoridades públicas indicaram que darão continuidade às medidas cabíveis dentro do devido processo legal. A defesa de Igor afirma que a presunção de inocência permanece válida até a conclusão do processo no STJ.

Em síntese, o caso lança luz sobre dilemas importantes: direito à reabilitação, proteção de alunos e funcionários, e os impactos de decisões judiciais sobre a organização de escolas públicas.

Queremos ouvir você O que você pensa sobre a contratação de profissionais com histórico criminal para atuar na educação pública? Deixe sua opinião nos comentários e compartilhe experiências relacionadas a temas de segurança, Justiça e educação.

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