A deputada federal Carol Dartora (PT-PR) apresentou nesta segunda-feira (16) representações na Polícia Federal, no Ministério da Justiça, na Procuradoria-Geral da República e na Mesa Diretora da Câmara, relatando ameaças de morte recebidas por e-mail institucional da Câmara. As mensagens foram enviadas por um usuário identificado como Lucas Bovolini Martins e chegaram na madrugada de domingo (15), segundo o relato da parlamentar. A petición também solicita reforço na segurança com agentes da Polícia Legislativa.
“Então, sua p… vou comprar uma passagem só de ida para a sua cidade. Vou te encontrar e fazer você pagar por cada palavra de m**** que você já disse. Vou te estuprar até você não aguentar mais… Você vai morrer, sua preta de m****. E quando eu terminar, vou cuspir no seu cadáver e dizer que você mereceu cada segundo de dor. No final, vou enfiar uma bala na minha cabeça”, descreveu a deputada no ofício que encaminhou aos órgãos competentes, destacando o teor de violência extrema da mensagem.
No ofício enviado ao presidente da Câmara, Dartora menciona o conteúdo de extrema violência da mensagem e pede que a segurança dela seja reforçada com agentes da Polícia Legislativa. A deputada afirma ser alvo específico de ódio por ser uma mulher negra em posição de poder institucional.
“Mulheres negras conquistaram, através de muita luta, o direito de ocupar cadeiras nesta Casa. Não podemos permitir que o terror racial e de gênero nos expulse desses espaços. Não podemos permitir que a violência cibernética e o terrorismo político silenciem vozes fundamentais para a democracia brasileira”, afirmou Carol no ofício a Motta.
O autor do e-mail, Lucas Bovolini Martins, já havia feito ameaças de morte a uma outra deputada no início de fevereiro. O e-mail foi enviado à deputada estadual Lívia Duarte, do PT do Pará.
Segundo denúncia da deputada Lívia Duarte, a mensagem continha ameaças explícitas contra a integridade física da parlamentar, que é considerada a primeira deputada negra na Assembleia Legislativa do Pará (Alepa).
“Seu assassinato será tão real quanto a dor que você sentiu ao ler isso”, dizia a mensagem criminosa enviada com o nome Lucas Bovolini Martins no remetente. O texto prosseguia com mais ameaças: “Deputada Lívia Duarte, sua existência é uma piada. Não é suficiente que eu quebre todos os ossos”, completou o e-mail.
Ao tomar conhecimento do conteúdo, após o recebimento, a deputada Lívia Duarte encaminhou ofícios ao presidente da Alepa, deputado Chicão (MDB), e ao gabinete militar da Casa, com pedidos de reforço da sua segurança. A Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social do Estado também foi acionada para investigar a autoria da mensagem por meio do serviço de inteligência.
Esses episódios destacam a violência dirigida a mulheres negras que ocupam cargos públicos e evidenciam a necessidade de proteções mais robustas, especialmente diante do incremento de ataques cibernéticos e terrorismo político no Brasil. As falas de Dartora ressaltam a luta histórica de mulheres negras para ocupar espaços de poder e a importância de manter a democracia firme diante de ameaças de ódio. A atuação das autoridades, aliada a medidas de proteção, é crucial para que vozes qualificadas permaneçam ativas no debate público sem receio de retaliações.
Entender esse tipo de intimidação é essencial para fortalecer a responsabilidade institucional e a segurança de quem atua na política. O que você pensa sobre a atuação das autoridades e as medidas de proteção para parlamentares diante de ataques de raça, gênero e violência online? Deixe seu comentário abaixo e compartilhe sua opinião sobre como enfrentar esse tipo de assédio que atinge a cidadania e a vida pública.


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