Ali Larijani, 68 anos, tornou-se uma das figuras centrais do Irã após ataques que, no início da guerra no Oriente Médio, teriam deixado em dúvida o destino do aiatolá Ali Khamenei. Como chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional, Larijani assumiu um papel mais visível na condução da política de defesa e na diplomacia nuclear, além de manter uma relação de confiança com o falecido líder supremo. Até o momento, as autoridades iranianas não confirmaram a morte de Khamenei, mas o cenário que se desenha já o coloca como uma peça-chave no quadro de poder do país, fortemente ligado aos objetivos do governo.
Nesta terça-feira, o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, afirmou que Larijani tenha sido eliminado, mas as autoridades iranianas não confirmaram a notícia. Mesmo sem confirmação, Larijani já apareceu em um comício pró-governo em Teerã na semana anterior, caminhando entre a multidão como sinal de desafio a Israel e aos Estados Unidos. Sua suspeita de morte não impede que permaneça como uma figura de peso no regime, com a reputação de pragmatismo aliado a uma visão firme sobre a defesa e a política externa.
Nascido em Najaf, no Iraque, em 1957, de uma família influente no clero xiita próximo ao fundador da República Islâmica, Larijani formou-se em Filosofia Ocidental pela Universidade de Teerã e destacou-se como veterano da Guarda Revolucionária na guerra Irã-Iraque. Ele chefiou a emissora estatal IRIB por cerca de uma década a partir de 1994, antes de presidir o Parlamento entre 2008 e 2020. Em 1996 passou a representar o guia supremo no CSSN e, posteriormente, tornou-se secretário do conselho e principal negociador nuclear, liderando conversas com Reino Unido, França, Alemanha e Rússia entre 2005 e 2007. Sua trajetória também inclui uma candidatura presidencial em 2005, na qual foi derrotado por Mahmoud Ahmadinejad, com desentendimentos posteriores sobre a diplomacia nuclear.
Ao longo dos anos, Larijani consolidou uma reputação de pragmatismo dentro de um arcabouço ideológico conservador. Antes da guerra, ele foi visto como uma ponte para a diplomacia, viajando a países do Golfo, como Omã e Catar, e conduzindo negociações que visavam manter sob controle o programa nuclear iraniano, ainda que cercado por tensões regionais. Observadores descrevem-no como um operador que sabe navegar pelo sistema político iraniano, mantendo o apoio histórico de Khamenei enquanto busca manter canais de diálogo com potências estrangeiras.
Larijani apoiou o acordo nuclear de 2015 com as potências globais, acordo que acabou fracassando após a saída dos EUA em 2018 sob o presidente Donald Trump. Mesmo diante da derrota diplomática, ele manteve a leitura de que o diálogo com Washington deveria se restringir à questão nuclear, defendendo o enriquecimento de urânio como direito soberano do Irã. Em março de 2025, ele alertou que pressões externas podem mudar a postura nuclear do Irã, ressaltando que qualquer provocação poderia levar o país a ajustar sua linha estratégica para se defender.
Larijani também figura entre funcionários iranianos sancionados pelos Estados Unidos, em janeiro, pela repressão violenta às manifestações que se espalharam pelo país após o aumento do custo de vida. Grupos de direitos humanos registram milhares de mortes nesse levante, fato que o político atribui, segundo as autoridades iranianas, à interferência estrangeira de Washington e de Tel Aviv. O episódio reforça a leitura de que a repressão já foi utilizada como ferramenta para manter a ordem interna, mesmo em meio a pressões externas.
Se a confirmação da morte de Larijani se confirmar, o Irã enfrentaria um golpe significativo: perderia uma figura-chave capaz de combinar lealdade ideológica com pragmatismo político, capaz de articular estratégias de defesa, gestão da política nuclear e uma diplomacia que já o levou a interlocutores no Golfo e em potências ocidentais. Sua trajetória, que mescla experiência militar, mídia estatal e liderança legislativa, reforça a percepção de que o sistema iraniano depende de atores com múltiplas facetas para navegar entre pressões externas e internas.
Convido você, leitor, a dividir suas impressões sobre o papel de Ali Larijani no atual xadrez regional e sobre o impacto de acontecimentos que alteram o equilíbrio entre diplomacia e defesa no Irã. Comente abaixo suas perguntas, opiniões ou expectativas para os próximos meses.

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