Deputada bolsonarista faz “blackface” durante discurso contra mulheres trans na Alesp

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Uma deputada bolsonarista acendeu a polêmica durante a sessão da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) ao se pintar de preto em plenário para criticar mulheres trans, nesta quarta-feira, 18. O gesto provocou reação imediata entre colegas e gerou ampla repercussão nas redes sociais, evidenciando como o tema identidade de gênero e os direitos das pessoas trans continuam gerando tensão no cenário político brasileiro.

O ato, conhecido como blackface, é amplamente visto como racialmente carregado por recorrer a estereótipos históricos para ridicularizar pessoas negras. A deputada Fabiana Bolsonaro (PL-SP) afirmou que a encenação era um “experimento social” — uma forma de sustentar a tese de que pessoas trans não são mulheres, mesmo que se maquinem. A explicação gerou críticas de colegas e de parte da opinião pública, que entenderam o gesto como uma provocação desnecessária e ofensiva.

Durante a fala, Fabiana abriu o discurso dizendo que é uma mulher branca e, aos 32 anos, decidiu se maquiar e travestir como uma pessoa negra para questionar se, ao fazer isso, passaria a entender as dores de quem é negro. Ela questionou: “eu virei negra? Eu senti o desprezo da sociedade por uma pessoa negra que jamais deveria existir?” Em seguida, reforçou a ideia de que, mesmo com maquiagem, não seria possível compreender as vivências de quem é negro no país.

“Eu, sou negra agora? Eu estou sentindo as dores de uma mãe e do seu filho que sofre na rua por ser negro? Não é isso? Não é essa luta?”, prosseguiu a deputada. O raciocínio foi seguido por críticas sobre a forma de tratar questões raciais e de gênero no plenário, com fortes reações nas redes sociais a esse tipo de encenação.

Fabiana também citou a atuação de a deputada federal Érika Hilton, referenciando a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados, em Brasília, para sustentar seus argumentos. Em um trecho de fala que ganhou destaque, afirmou que não está ofendendo transexuais, mas declarou: “A mulher do ano não pode ser transexual. Isso está tirando a mulher que inventou a vacina.”

O episódio reacende o debate sobre o modo como temas sensíveis são tratados no Legislativo, principalmente quando envolvem raça, identidade de gênero e direitos das mulheres. Especialistas destacam que a discussão pública sobre trans costuma ser marcada por retóricas que confundem aparência com identidade, o que pode reforçar estereótipos e dificultar a compreensão de realidades distintas enfrentadas por mulheres negras e pessoas trans.

A repercussão política e social evidencia a necessidade de um diálogo mais responsável entre parlamentares e a sociedade, diante de uma agenda que já é complexa. O caso aponta para a importância de respeitar identidades e evitar atitudes que possam desumanizar grupos historicamente discriminados, especialmente em espaços públicos de decisão.

Como você percebe esse episódio envolvendo linguagem pública sobre raça e gênero? Deixe sua opinião nos comentários e compartilhe seus pontos de vista sobre o papel do Legislativo na defesa dos direitos das mulheres e das pessoas trans no Brasil.

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