Gerson Brenner: como foi o crime que interrompeu a carreira do ator em 1998

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Resumo: O ator Gerson Brenner, 66 anos, faleceu nesta segunda-feira, 23, em decorrência das sequelas de um violento assalto ocorrido em 1998 na Rodovia Ayrton Senna, em Guararema (SP), que interrompeu no auge a sua carreira na televisão ao interpretar Jorginho em Corpo Dourado. A tragédia moldou sua vida nos anos seguintes, levando-o a conviver com déficits de fala, cognição e mobilidade, sob cuidados médicos constantes.

Na madrugada de 17 de agosto de 1998, Brenner dirigia de São Paulo rumo ao Rio de Janeiro para gravar as cenas finais da novela. No trecho em que criminosos espalharam pedras para forçar motoristas a pararem, ele teve dois pneus estourados e encostou no acostamento. Sozinho, desceu para trocar o pneu e foi surpreendido por assaltantes armados. Houve luta corporal e um disparo a curta distância.

O disparo, feito com pistola calibre .380, atravessou o lado esquerdo do cérebro e alojou-se junto à nuca, deixando Brenner em coma profundo, com paralisia do lado direito do corpo. Foi socorrido por motoristas e encaminhado a um hospital, antes de ser transferido ao Hospital Israelita Albert Einstein, onde o projétil foi removido. A recuperação foi lenta, com várias internações e episódios de convulsão.

Sequelas e vida após a tragédia: Brenner nunca mais retomou a carreira. O quadro neurológico comprometeu funções básicas como fala, cognição e mobilidade, exigindo cuidados permanentes e adaptações no dia a dia. Ao longo dos anos, ele passou por diferentes internações e dependia de apoio da esposa, Marta Mendonça, com quem se casou, além de ser pai da filha Vitória, que nasceu durante o tratamento, e de uma filha de relacionamento anterior.

Os autores do ataque foram presos poucos dias depois, jovens entre 19 e 25 anos. Eles confessaram que a tática de espalhar pedras na estrada visava provocar acidentes e facilitar o roubo, embora tenham fugido sem levar objetos de valor. O episódio ganhou repercussão nacional, destacando a violência contra figuras públicas no Brasil.

No período seguinte, Brenner recebeu o apoio da TV Globo, que manteve um plano de saúde vitalício ao ator. A família enfatizou que o convênio permitia acesso a cuidados constantes, com avaliações médicas a cada 15 dias e custos elevados. Esse suporte foi fundamental para manter a qualidade de vida dentro das limitações impostas pelas sequelas, mesmo diante dos desafios diários.

A interrupção da produção de Corpo Dourado deixou marca no imaginário cultural brasileiro, mostrando como a violência urbana pode interromper trajetórias de artistas em pleno auge. O público acompanhou com emoção a história de Brenner, que se tornou símbolo de resiliência e de luta por inclusão de pessoas com deficiência. Mesmo longe dos holofotes, ele manteve vínculos com causas sociais e projetos de reabilitação.

Como você lembra de Gerson Brenner e desse episódio que marcou a televisão brasileira? Compartilhe seu comentário e opinião sobre o tema da violência, da recuperação e da defesa de direitos para pessoas com deficiência. Sua participação enriquece este debate público.

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