Não agrega, não se posiciona, é do PP: as resistências a Tereza como vice de Flávio

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A opção Tereza Cristina para vice de Flávio Bolsonaro (PL) é, no discurso, o “nome perfeito”. Da porta para dentro da pré-campanha do presidenciável, contudo, a história é outra.

Dizem, no QG bolsonarista, que Tereza não reúne todos os itens de uma lista de atributos do vice ideal e pode ser mais problema do que solução. Em resumo: evita se posicionar, tem baixo potencial de agregar votos e carrega o peso de ser do PP.

Ex-ministra da Agricultura do governo Bolsonaro e representante do agronegócio, Tereza poderia fazer a ponte entre o setor e o candidato. Ocorre que o agro já vota majoritariamente na direita, com ou sem sua presença na chapa, assim como a região Centro-Oeste.

A preocupação da pré-campanha é Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país, onde “não há margem para erro”. Razão pela qual, o ex-governador Romeu Zema (Novo) é considerado para vice.

Outro ponto é que a senadora é do PP, partido que pode ser fortemente atingido pela delação de Daniel Vorcaro, do Banco Master, o que certamente afetaria a campanha. Não se trata de recusar o apoio da sigla, mas ter um nome do partido na vice seria contratar um problema.

Casado com o PP, o União Brasil também pode ser impactado. Lideranças das duas siglas, como Ciro Nogueira e Antonio Rueda, mantinham negócios com Vorcaro.

Tudo dependerá do teor da delação e das investigações da Polícia Federal, que devem esclarecer se as operações eram lícitas ou ilícitas, podendo alterar o estado civil da aliança. Juntos, PP e União Brasil formam atualmente a maior força política do país, com amplo tempo de TV e cerca de R$ 1 bilhão em recursos públicos para financiamento de campanhas.

Uma característica da senadora também causa incômodo: Tereza evita se posicionar. Essa postura é vista como um ponto negativo em uma chapa cuja dinâmica se baseia na polarização. Não há registros de declarações da senadora, por exemplo, sobre ministros do Supremo criticados pelos bolsonaristas e a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro.

O fato de ser mulher e católica é o que mantém Tereza entre os nomes cotados para vice. Flávio é evangélico e, em um Brasil de maioria católica, a presença da senadora pode ampliar o alcance da chapa. Além disso, as mulheres são maioria do eleitorado, e sua inclusão poderia ajudar a neutralizar o discurso da campanha de Lula, que busca associar a direita à misoginia.

Não é a primeira vez que o nome da senadora é cotado para vice numa chapa presidencial. Em 2022, a campanha de Jair Bolsonaro cogitou a possibilidade, mas o candidato escolheu o general Braga Netto.

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