Casa de Oxumarê conquista registro de marca após quase uma década de mobilização

Publicado:

compartilhe esse conteúdo

A Casa de Oxumarê, um dos terreiros tombados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em Salvador, conquistou oficialmente o registro de marca junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), após quase uma década de mobilização e trâmites legais.

A casa, com mais de 180 anos de história, celebrou a vitória com uma publicação nas redes sociais nesta quarta-feira (12). O terreiro escreveu: “Para casas tradicionais e para os terreiros de religiões de matrizes africanas, esse registro representa mais do que um documento jurídico. É um passo fundamental na proteção da nossa identidade, da nossa memória e da legitimidade de instituições que há gerações preservam fé, cultura e ancestralidade.”

O processo de obtenção do registro de marca durou cerca de nove anos e mobilizou lideranças religiosas e especialistas na defesa dos direitos das tradições religiosas da região. Para Babá Pecê, a conquista tem um significado que vai além do aspecto jurídico: “É mais um instrumento de proteção do nome, da história e da ancestralidade dessa casa”, celebra o babalorixá, destacando que a medida fortalece a preservação do legado construído por gerações.

Segundo Hédio Silva Júnior, advogado e coordenador executivo do Instituto de Defesa dos Direitos das Religiões Afro-Brasileiras (IDAF), o registro de marca é um direito das confissões religiosas e uma ferramenta estratégica para a proteção institucional dos terreiros. Ele explica que “a marca protege a cidade e a memória da casa, além de evitar que pessoas utilizem indevidamente o nome do terreiro para aplicar golpes ou associar sua imagem sem vínculo com a instituição”.

Fundada ainda no século XIX, a Casa de Oxumarê foi transplantada em 1904 para uma colina do bairro Federação, em decorrência das fortes perseguições policiais da época. Desde então, consolidou-se como referência das religiões de matriz africana no Brasil, reconhecida como espaço de resistência negra, preservação cultural e transmissão de saberes ancestrais. A Casa de Oxumarê foi tombada pelo Iphan em 2013.

Com a conquista, a casa reforça sua identidade, memória e legado, inspirando moradores e interessados pela cultura afro-brasileira a acompanhar a história de perto. O que você acha dessa etapa de proteção de identidades culturais? Deixe seu comentário abaixo e participe da conversa.

Compartilhe esse artigo:

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

ARTIGOS RELACIONADOS

PM morre após ser baleado durante abordagem a suspeitos em Ilhéus

Maurício Dantas dos Santos, policial militar da CIPT Sul (Rondesp Sul), morreu na noite deste domingo, 27, após ser baleado durante uma abordagem...

Áreas do Lago Sul, Planaltina e Plano Piloto ficam sem energia na 2ª

Distrito FederalInterrupção programada atinge três regiões do DF na segunda-feira (27/7) para melhoria da rede e poda de árvores ...

Fraude milionária do INSS abasteceu garagem de carros de luxo

Extremo Sul da Bahia PF deflagra operação envolvendo Conafer; desvio de recursos do INSS passa a ser investigado com frota...