Iphan autoriza continuidade de pesquisas arquelógicas em área de construção de empreedimento de luxo no terreno da Graça

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Resumo: O Iphan renovou por mais cinco meses a licença para pesquisas arqueológicas no terreno da Graça, em Salvador, relacionado ao empreendimento LV Square. As escavações, que já revelaram vestígios do século XIX e sinais de ocupação urbana nas décadas de 1930 e 1940, visam preservar o patrimônio e ampliar o conhecimento por meio de ações de educação patrimonial com moradores da cidade.

A decisão, publicada no Diário Oficial da União no dia 6, mantém Railson Cotias da Silva como responsável técnico. Ele é sócio da empresa Cotias e Dias Ltda., responsável pelas escavações, sob a coordenação do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e com respaldo técnico para o andamento do projeto.

O apoio institucional do Nepab, núcleo ligado à Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), continua intacto. Em ofício enviado ao Iphan no dia 20 de março, o Nepab endossou a renovação, reforçado pela participação de Walter Fagundes Morales, coordenador do núcleo na Uesc. A parceria busca assegurar a guarda do acervo coletado e aprofundar a compreensão histórica da área.

Entre os achados, está a identificação de vestígios que remontam ao século XIX e indícios de uma ocupação urbana mais intensa nas décadas de 1930 e 1940. O sítio, conhecido como a “Casa dos Bondes”, revela transformações no uso do solo, incluindo chácaras, roças e sobrados que ilustram uma configuração urbana diferente da atual.

Conforme o relatório apresentado, as intervenções da obra de engenharia no lote convivem com as etapas de campo da pesquisa arqueológica, sempre orientadas por critérios de amostragem. Novas descobertas surgem ao longo do processo, com a maior parte dos vestígios se agrupando em materiais oriundos do descarte de pequenos objetos, grandes equipamentos e componentes ligados aos reparos e à produção dos bondes.

A continuidade das pesquisas também prevê o aprofundamento de fontes documentais, como mapas antigos, registros cartoriais, jornais e fotografias históricas. O objetivo é cruzar dados materiais com documentos para entender melhor a ocupação da área ao longo do tempo e situar as descobertas no contexto da história da cidade.

O empreendimento imobiliário, de alto padrão, está sob rígidas exigências legais voltadas à preservação do patrimônio histórico. O projeto não se resume a erguer uma edificação: ele incorpora ações de Educação Patrimonial que envolvem a comunidade local, trabalhadores da obra e estudantes, com o intuito de socializar a memória urbana da cidade.

Sobre o patrimônio de mobilidade, o relatório destaca que o sítio é um testemunho material da evolução do transporte público em Salvador. Além do trabalho técnico de salvaguarda e coleta de amostras, as ações educativas visam explicar à cidade como o sistema de bondes moldou a circulação e a vida quotidiana no passado, inclusive em áreas onde funcionou o antigo complexo de manutenção, produção e guarda de bondes.

Os trabalhos indicam que a área abrigava uma estação com infraestrutura voltada para a tração animal, com instalações para o repouso, alimentação e tratamento de cavalos e burros. As escavações e o monitoramento revelaram estruturas, muros e bases de concreto do antigo barracão, bem como uma lixeira industrial na parte posterior, contendo uma grande quantidade de materiais descartados, como objetos pequenos, peças de manutenção e componentes ferragens.

Um achado inédito chama a atenção: um cemitério de cavalos e burros em deposição primária, com esqueletos articulados que atestam o uso funcional de animais para a tração dos bondes antes da eletrificação. No século XIX, Salvador já utilizava bondes de burro, com linhas que ligavam a Praça Castro Alves ao Largo da Vitória, preparando terreno para a transição para bondes elétricos no final do mesmo século, uma fase que consolidou a cidade como referência no transporte público.

Diante desse panorama, moradores e leitores são convidados a entender como a memória urbana se entrelaça com o desenvolvimento moderno. A conservação desses vestígios, associada à educação pública, reforça a importância de equilibrar obras de grande porte com a proteção de um patrimônio que conta a história da cidade. Conte-nos o que você pensa sobre a integração entre infraestrutura sustentável e preservação histórica na sua região.

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