Resumo executivo: a maior chacina já registrada no Distrito Federal envolveu 10 mortos entre integrantes de uma família e outros parentes, em um plano arquitetado por cinco suspeitos com a participação de um adolescente. A disputa pela posse de uma chácara foi o motor do crime, que se desenrolou entre o DF, Goiás e Minas Gerais, revelando uma rede criminosa próxima das vítimas e movida por interesses de controle territorial.
Em 27 de dezembro de 2022, Marcos Antônio Lopes de Oliveira, Renata Juliene Belchior e Gabriela Belchior de Oliveira foram rendidos dentro da casa da família. Os criminosos levaram R$ 49,5 mil e transportaram as vítimas para um cativeiro em Planaltina, onde Marcos foi assassinato pouco tempo depois. Renata e Gabriela permaneceram vivas nos primeiros dias, enquanto os autores passaram a usar os celulares das vítimas para se passar por elas e atrair outros familiares.
Conforme o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), o grupo era formado por Gideon Batista de Menezes, Horácio Carlos Ferreira Barbosa, Carlomam dos Santos Nogueira, Fabrício Silva Canhedo e Carlos Henrique Alves da Silva. Gideon, que morava na chácara, foi apontado como mentor e confessou ter alugado o imóvel para manter as vítimas sob vigilância. Horácio atuou diretamente nos assassinatos, simulando um assalto, sequestrando pessoas, enviando mensagens como se fossem as vítimas e enterrando, esquartejando e incendiando corpos e veículos.
Carlomam dos Santos Nogueira participou ativamente dos sequestros e das execuções, chegando a atirar na nuca de Marcos Antônio. Fabrício Silva Canhedo ficou responsável pela vigilância do cativeiro e pela ocultação do carro utilizado no crime, vinculando Claudia da Rocha Marques como a ex-companheira de Marcos. Carlos Henrique Alves da Silva foi o último a ser preso e participou da rendição das vítimas, tentando fugir pelo telhado ao ser localizado pela polícia.
As vítimas identificadas pelo MPDFT são: Marcos Antônio Lopes de Oliveira (patriarca), Renata Juliene Belchior (esposa), Gabriela Belchior de Oliveira (filha) e Thiago Gabriel Belchior de Oliveira (filho); Elizamar da Silva (esposa de Thiago) e os filhos Rafael, Rafaela e Gabriel, todos com idades entre 6 e 7 anos; Cláudia da Rocha Marques (ex-companheira de Marcos) e Ana Beatriz Marques de Oliveira (filha de Marcos e Cláudia).
Detalhes das execuções revelam crueldade extrema. Marcos Antônio morreu com um disparo na cabeça, teve o corpo decapitado e esquartejado. Thiago apresentava amarras nos membros e faleceu por asfixia, por sufocação direta. Claudia também morreu por amarração, com a causa da morte descrita como hipovolemia por esgorjamento — grande perda de sangue devido ao corte no pescoço. Ana Beatriz morreu da mesma forma. Renata e Gabriela não tiveram a causa de morte determinada, porque os corpos estavam carbonizados.
A barbárie não ficou restrita ao DF. Os corpos foram encontrados após deslocamentos diversos: o grupo levou as vítimas para Cristalina, em Goiás, onde Marcos foi assassinado; os demais foram mortos em locais diferentes, com Renata e Gabriela levadas a Unaí, em Minas Gerais, antes de também serem mortas. Os corpos foram ocultados, parte deles em uma cisterna, até o desfecho da investigação.
Os cinco réus respondem por homicídio qualificado, latrocínio, ocultação de cadáver, extorsão mediante sequestro, associação criminosa qualificada e corrupção de menor. Se condenados, as penas podem ultrapassar 70 anos de prisão para cada um, com a soma de possíveis sentenças chegando a 358 anos. Quase todos teriam confessado partes dos crimes durante o depoimento à Justiça, segundo o MPDFT.
A investigação aponta que a posse da chácara serviu como motivação central, ainda que Marcos não fosse proprietário legítimo da casa. Um policial descreveu que o objetivo era impedir que familiares investigassem o caso, sugerindo um ódio cultivado na convivência entre Marcos e os cinco cúmplices, de modo a consolidar o controle sobre o imóvel e a estrutura familiar envolvida.
Este caso permanece como marco de brutalidade na região, suscitando debates sobre justiça e proteção às famílias. O que você acha das motivações apresentadas e das medidas de repressão adotadas pelas autoridades? Compartilhe sua opinião nos comentários para ampliarmos o debate com responsabilidade e respeito.

