Condenados pela maior chacina do DF recebem penas; idosa de 92 anos reage à condenação
Quatro homens e uma mulher foram condenados pela chacina que vitimou dez membros de uma mesma família no Distrito Federal, encerrando um caso que ganhou contornos de marca na violência da região de Planaltina. A condenação foi proferida após seis dias seguidos de júri, em uma sessão que mobilizou familiares, testemunhas e autoridades, enquanto Antônia Lopes de Oliveira, 92 anos, expressou, em meio à dor, que o castigo jamais pagará a perda de seus filhos, mas que os réus devem responder até o fim da vida.
Entenda o caso. Entre outubro de 2022 e janeiro de 2023, os acusados formaram uma organização criminosa com o objetivo de tomar a chácara Quilombo, localizada no Itapoã, em Planaltina, e de obter dinheiro da família de Marcos Antônio Lopes de Oliveira. Avaliada em cerca de 2 milhões de reais, a propriedade soma cachoeira privativa, vasta área de capim de gado e aproximadamente cinco hectares. O plano era matar todos os membros da família para herdar o imóvel, mesmo que o patriarca já não fosse o titular original do terreno, que estava envolvido em disputa judicial desde 2020. A emboscada foi planejada para eliminar herdeiros, sem deixar sobreviventes.
A sequência de mortes ocorreu por meio de assassinatos encadeados, com a família sendo atraída para armadilhas e morta um a um. Entre as vítimas estavam o patriarca Marcos Antônio Lopes de Oliveira; a esposa Renata Juliene Belchior; a filha Gabriela Belchior de Oliveira; o filho Thiago Gabriel Belchior de Oliveira; a esposa de Thiago, Elizamar da Silva; e os filhos Rafael, Rafaela e Gabriel, com idades entre 6 e 7 anos. Também foram alvo da violência Claudia da Rocha Marques, ex-companheira de Marcos, e Ana Beatriz Marques de Oliveira, filha de Marcos e Claudia. O objetivo dos réus era ampliar o ganho com a transferência da posse do imóvel, que já estava envolvido em disputas judiciais há anos.
Condenados. Os réus Gideon Batista de Menezes, Horácio Carlos Ferreira Barbosa, Carlomam dos Santos Nogueira, Fabrício Silva Canhedo e Carlos Henrique Alves da Silva foram julgados e condenados por homicídio qualificado, latrocínio, ocultação de cadáver, extorsão mediante sequestro, associação criminosa qualificada e corrupção de menor. A pena será cumprida no Complexo Penitenciário da Papuda, no Distrito Federal. O júri, que começou pela manhã com a votação de cerca de 500 quesitos, encerrou-se no final da tarde de um sábado, com a leitura definitiva das sentenças após seis dias de trabalho dos jurados.
Logo após a leitura da sentença, Antônia Lopes de Oliveira, que acompanhou o julgamento com dois bancos improvisados feitos na prática, permaneceu na audiência até o encerramento, buscando entender o desfecho de um caso que lhe tirou parte da família. Em entrevista, a idosa afirmou: “Não tem castigo que pague a vida dos meus filhos por maior que seja a condenação, mas quero que eles paguem até o último dia de vida deles.” A fala refletiu o peso de uma perda que se estende a netos e bisnetos e que permanece como um marco de dor para a comunidade.
Galeria de imagens. A cobertura traz uma galeria com imagens dos momentos do julgamento, do tribunal e dos envolvidos, para ilustrar a dimensão deste caso. A seguir, uma seleção de registros que retratam o andamento do processo, as testemunhas e o cenário no dia da leitura da sentença. As imagens destacam a gravidade do episódio, a presença da família e a atuação das autoridades responsáveis pela investigação e pela condução do júri.





Entenda quem morreu
- Marcos Antônio Lopes de Oliveira — patriarca
- Renata Juliene Belchior — esposa de Marcos
- Gabriela Belchior de Oliveira — filha do casal
- Thiago Gabriel Belchior de Oliveira — filho do casal
- Elizamar da Silva — esposa de Thiago
- Rafael (6), Rafaela (6) e Gabriel (7) — filhos de Thiago e Elizamar
- Cláudia da Rocha Marques — ex-companheira de Marcos
- Ana Beatriz Marques de Oliveira — filha de Marcos e Cláudia
Os condenados respondem pelos crimes de homicídio qualificado, latrocínio, ocultação de cadáver, extorsão mediante sequestro, associação criminosa qualificada e corrupção de menor. A pena será cumprida no Complexo Penitenciário da Papuda, mantendo o Distrito Federal como palco de uma das investigações mais longas envolvendo uma família na região.
Após a leitura da sentença, a cobertura judicial reforçou a percepção de que a violência orquestrada para tomar o imóvel se estendeu por meses, envolvendo uma rede de interesses que extrapolou a mera disputa de herança. A defesa dos réus ainda pode recorrer, mas, por ora, o veredito marca o desfecho de um capítulo sombrio na história da cidade de Planaltina e da região como um todo.
Encerramento. O caso, que expõe feridas profundas na comunidade, levanta debates sobre justiça e segurança na capital do país. Agora, cabe à sociedade refletir sobre os impactos de crimes dessa dimensão e sobre como proteger famílias inteiras diante de disputas que se arrastam no tempo e no espaço. Qual é a sua leitura sobre o desfecho deste caso? Compartilhe sua opinião nos comentários abaixo e traga seu ponto de vista para o debate público.

